Brasil: Empresas investem nos EUA e China perde capital em meio a tensões globais

Destaques
- •Investimentos brasileiros nos EUA somam US$ 11,6 bilhões desde o início do segundo mandato de Trump, impulsionados por tarifas e busca por mercado.
- •China vê queda de mais de 50% nos investimentos brasileiros, de US$ 3,8 bi para US$ 1,6 bi, devido a tensões geopolíticas e ambiente de negócios.
- •Agronegócio brasileiro demanda previsibilidade, estabilidade institucional e fiscal, além de infraestrutura e acordos comerciais para manter crescimento.
Empresas brasileiras têm direcionado investimentos significativos para os Estados Unidos, totalizando US$ 11,6 bilhões desde o início do segundo mandato de Donald Trump. Essa movimentação é vista como uma resposta às tarifas impostas pelo governo americano a produtos estrangeiros e à estratégia de Trump de incentivar a produção local. Consultorias apontam que a busca por diversificação e acesso ao vasto mercado consumidor americano, especialmente em setores ligados à inteligência artificial, também impulsionam essa tendência.
Grandes companhias como JBS, WEG e Embraer anunciaram novos aportes em fábricas e operações nos EUA. A Amcham Brasil mapeou 35 novos projetos produtivos nos últimos 12 meses, somando cerca de US$ 1,2 bilhão. Para especialistas, o "tarifaço" de Trump acelerou a entrada de companhias brasileiras, que reconsideram a exportação em favor da produção direta nos Estados Unidos, vista também como uma forma de proteção em um cenário de juros altos no Brasil.
China perde espaço para investimentos brasileiros
Em contrapartida, a China tem registrado uma queda acentuada nos investimentos brasileiros. O estoque de capital do Brasil no país asiático foi reduzido em mais de 50% em 2025, de US$ 3,8 bilhões para US$ 1,6 bilhão. Fatores como tensões geopolíticas, aperto regulatório interno, desaceleração econômica e a crise no setor imobiliário chinês têm deteriorado o ambiente de negócios.
Empresas brasileiras que mantinham escritórios comerciais ou tradings na China vêm reduzindo estruturas fixas, optando por compras diretas de fábricas. A percepção de risco jurídico e a imprevisibilidade do ambiente de negócios na China levam multinacionais a buscar destinos com menor risco político, como Vietnã, Índia, Malásia e México.
Agronegócio busca previsibilidade e plano de Estado
O agronegócio brasileiro, que representa 48,5% das exportações do país e cerca de 25% do PIB, demanda um "plano de Estado" para garantir sua trajetória de crescimento. Lideranças do setor apontam a necessidade de estabilidade institucional, que assegure previsibilidade jurídica e econômica para investimentos de longo prazo. A instabilidade é vista como um fator que encarece o risco-país e, consequentemente, as taxas de juros.
Outras demandas cruciais incluem responsabilidade fiscal, com a dívida bruta do país em patamares elevados; acesso a crédito e seguro rural acessíveis, com a recente lei 15.526/2026 buscando garantir subvenção ao prêmio; e investimentos em infraestrutura e conectividade, como rodovias e ferrovias, para reduzir o "Custo Brasil". Acordos comerciais, como a volta à lista sanitária europeia e negociações com China e EUA, além da produção nacional de fertilizantes, também são pontos chave para o setor.
Terras-raras e a geopolitização de recursos
A audiência pública na Comissão de Meio Ambiente do Senado também abordou a importância estratégica de minerais como terras-raras, lítio e cobalto para as transições digital e energética. O Brasil possui a segunda maior reserva mundial de terras-raras, mas a China domina grande parte do processamento. Essa dependência tem levado outros países a verem esses insumos como vulnerabilidades estratégicas, num fenômeno chamado "geopolitização".
Especialistas sugerem que o Brasil pode desenvolver uma indústria de transformação, como a fabricação de ímãs, em vez de apenas exportar matéria-prima bruta. No entanto, ressaltam a necessidade de políticas nacionais, investimentos e parcerias sólidas, além de salvaguardas ambientais e sociais, para que o processamento desses minerais gere desenvolvimento industrial e tecnológico, em vez de conflitos.
Matérias originais
- CMA: 'Tarifaço' afeta soberania, enquanto terras-raras oferecem riscos e oportunidades · www12.senado.leg.br
- Investimentos brasileiros nos Estados Unidos voltam a subir após tarifaço; na China, volume cai · estadao.com.br
- O Agro e as eleições para presidente do Brasil · forbes.com.br
- O Agro e as Eleições para Presidente do Brasil · forbes.com.br



