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Brasil debate marco regulatório para usinas hidrelétricas reversíveis

26 de outubro de 2026
Brasil debate marco regulatório para usinas hidrelétricas reversíveis

Destaques

  • •Brasil discute a necessidade de novas tecnologias de armazenamento de energia diante da baixa nos reservatórios hidrelétricos.
  • •Usinas hidrelétricas reversíveis (UHRs) são apontadas como solução com potencial técnico e durabilidade, mas enfrentam barreiras regulatórias.
  • •A proposta é debater um novo marco regulatório para atrair capital privado e valorizar os atributos ancilares dessas usinas.

O Brasil, conhecido por sua matriz energética predominantemente renovável (cerca de 90% da eletricidade consumida), enfrenta um desafio crescente com a baixa nos níveis dos reservatórios hidrelétricos e o consequente encarecimento da energia. Diante desse cenário, o país precisa urgentemente refletir sobre novas tecnologias de armazenamento de energia, com destaque para as usinas hidrelétricas reversíveis (UHRs).

As UHRs funcionam como gigantescas baterias, utilizando dois reservatórios em altitudes distintas. Em períodos de baixa demanda, o excesso de eletricidade é usado para bombear água do reservatório inferior para o superior. Já nos picos de consumo, a água é liberada do reservatório mais alto para gerar energia, superando a autonomia de baterias convencionais e aproveitando o excedente de fontes intermitentes como a solar e a eólica. Essa tecnologia também ajuda a restringir o uso de usinas termelétricas, mais caras e poluentes.

Potencial e Viabilidade Técnica das UHRs

Embora as usinas hidrelétricas reversíveis sejam uma tecnologia consolidada há mais de meio século em diversos países, o Brasil, com seu vasto potencial hidráulico, priorizou a construção de grandes reservatórios de acumulação. No entanto, um estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) aponta para um potencial técnico de mais de 5.500 aproveitamentos viáveis de UHRs em todo o território nacional. Esses projetos podem utilizar reservatórios já existentes, reduzindo custos e impactos ambientais, ou criar reservatórios isolados, idealmente localizados próximos a parques eólicos e solares.

Comparativo Econômico e Barreiras Regulatórias

Do ponto de vista econômico, as UHRs exigem altos investimentos iniciais e longos prazos de construção, mas apresentam baixos custos operacionais. Em contrapartida, as baterias de íon-lítio demandam menor investimento inicial e implantação rápida, porém necessitam de reinvestimentos constantes devido à obsolescência e perda de capacidade. A principal barreira para a implementação em larga escala das UHRs no Brasil reside nas questões regulatórias. É fundamental que se passe a valorizar os chamados atributos ancilares, como a capacidade de cobrir a intermitência das energias solar e eólica. Sem contratos atrativos de longo prazo, o capital privado hesita em investir na construção dessas usinas.

Próximos Passos e Debate Necessário

Diante da magnitude do problema enfrentado pelo setor elétrico brasileiro e da evidente necessidade e viabilidade técnica das usinas hidrelétricas reversíveis, o momento é propício para sua implementação. Especialistas como Jorio Dauster e Mário Menel defendem que chegou a hora de debater com urgência o marco regulatório para essas usinas, a fim de garantir sua remuneração adequada e atrair os investimentos necessários para sua construção e operação.

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