Brasil autoriza compra de 20 mil doses de vacina contra mpox e reforça estoques

Destaques
- •Ministério da Saúde autoriza aquisição de até 20 mil doses da vacina contra mpox para reforçar o SUS.
- •Casos em alta no Rio de Janeiro contrastam com redução nacional de 94% desde 2022, mas vigilância é mantida.
- •Vacinação no SUS prioriza pessoas vivendo com HIV/aids com baixa contagem de células de defesa.
O Ministério da Saúde autorizou a compra de até 20 mil doses da vacina contra a mpox, doença viral anteriormente conhecida como varíola dos macacos. A medida visa reforçar os estoques do Sistema Único de Saúde (SUS) e tem caráter preventivo e estratégico, diante de um cenário de aumento de casos em algumas regiões, como o Rio de Janeiro.
A capital fluminense registrou 74 infecções em setembro e outubro, um aumento expressivo em comparação com o mesmo período do ano anterior. Apesar dessa alta localizada, o cenário nacional ainda é significativamente diferente do pico de 2022, quando o Brasil confirmou mais de 10 mil casos. Em 2026, foram registrados 665 casos, uma redução de 94%.
O que é a mpox e como se transmite?
A mpox é uma doença zoonótica viral cujos sintomas mais comuns incluem febre, dor de cabeça, dores musculares, calafrios, fraqueza e erupções cutâneas. As lesões na pele evoluem de manchas para bolhas e, posteriormente, formam crostas, podendo aparecer no rosto, mãos, pés, boca e região genital. A transmissão ocorre principalmente pelo contato direto com lesões na pele, secreções corporais (como saliva) ou objetos contaminados. O contato próximo e prolongado com secreções respiratórias também pode levar ao contágio.
A doença não é considerada uma infecção sexualmente transmissível (IST) clássica, mas o contato físico íntimo durante o sexo facilita a transmissão. O beijo também pode transmitir o vírus, especialmente se houver lesões na boca ou lábios.
Mpox pode matar? Qual o tratamento?
Embora as mortes por mpox sejam raras, o risco é maior para pessoas com o sistema imunológico comprometido, como pacientes com HIV sem tratamento adequado, transplantados e em tratamento contra o câncer. Para a população em geral, o risco de letalidade é considerado baixo, geralmente abaixo de 1% em surtos globais.
Na maioria dos casos, o tratamento é sintomático, com alívio da dor e febre, além de cuidados com as lesões. Em situações graves, o antiviral tecovirimat pode ser considerado, mas não é indicado rotineiramente. Complicações, como lesões oculares ou infecções bacterianas secundárias, exigem avaliação médica urgente.
Quem pode ser vacinado contra a mpox?
A vacina contra a mpox no SUS tem uma estratégia de priorização. Atualmente, o foco são pessoas vivendo com HIV/aids que apresentam comprometimento imunológico, com contagem de células CD4 inferior a 100 células/mm³. O esquema vacinal completo é de duas doses, com intervalo de 28 dias.
Doses remanescentes podem ser destinadas a outros grupos, como pessoas vivendo com HIV/aids com CD4 inferior a 200 células/mm³, usuários de profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP) e profissionais de laboratório que manipulam amostras do vírus. A vacinação pós-exposição também é recomendada para contatos próximos de casos suspeitos ou confirmados, preferencialmente nos primeiros 4 dias após o contato, podendo ser estendida até 14 dias.
O que diz a pesquisa
Um estudo publicado na revista Frontiers in Immunology em 2024, intitulado "Advancements in monkeypox vaccines development: a critical review of emerging technologies", revisa o desenvolvimento de vacinas contra a mpox. A pesquisa destaca que, apesar dos progressos, persistem desafios na eficácia, segurança e acessibilidade das vacinas. O artigo analisa diversas plataformas vacinais, incluindo vírus atenuados, vetores virais, proteínas recombinantes, DNA e mRNA, avaliando suas vantagens e limitações. O estudo enfatiza a necessidade de pesquisa contínua e inovação para melhorar a proteção contra o vírus e cepas de orthopoxvirus, além de otimizar as vacinas existentes e investigar novas estratégias para futuras emergências de saúde pública.
Pesquisa citada
- Advancements in monkeypox vaccines development: a critical review of emerging technologies
Frontiers in Immunology · 2024

