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Brasil: 3 milhões de adolescentes não completaram vacina contra dengue

26 de outubro de 2026
Brasil: 3 milhões de adolescentes não completaram vacina contra dengue

Destaques

  • •Mais de 3 milhões de adolescentes que receberam a primeira dose da vacina contra a dengue ainda não retornaram para a segunda aplicação, essencial para a proteção completa.
  • •Apesar de 11,8 milhões de doses terem sido administradas, quase 4 milhões de doses distribuídas aos municípios permanecem sem uso, enquanto o país se prepara para um possível aumento de casos devido ao El Niño.
  • •A vacinação com a Qdenga, da Takeda, é voltada para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, e a aplicação da vacina do Butantan segue suspensa para investigação de casos graves.

Mais de 3 milhões de adolescentes no Brasil ainda precisam completar o esquema vacinal contra a dengue, que exige duas doses aplicadas com intervalo de três meses. Os dados foram apresentados pelo diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Eder Gatti, na 28ª Jornada Nacional da Sociedade Brasileira de Imunizações, realizada no Rio de Janeiro.

No total, mais de 11,8 milhões de doses da vacina Qdenga, da farmacêutica japonesa Takeda, já foram administradas no país. Desse montante, 7,6 milhões correspondem à primeira dose e 4,2 milhões à segunda. Contudo, quase 4 milhões de doses distribuídas aos municípios ainda não foram aplicadas. Gatti ressaltou que o período de verão costuma registrar um aumento nos casos de dengue, e a ocorrência do fenômeno El Niño pode intensificar essa sazonalidade.

O desafio da adesão vacinal

O diretor do PNI destacou a dificuldade em vacinar adolescentes que não percebem o risco da doença. Ele explicou que o ideal é que a vacinação ocorra no período de menor incidência da dengue, para que os indivíduos estejam protegidos durante os períodos de maior transmissão.

A vacina Qdenga, apesar de ter sua capacidade de produção limitada pela Takeda, tem o fornecimento para o público-alvo garantido no Brasil. O contrato vigente prevê a entrega de 9 milhões de doses em 2024 e outras 9 milhões em 2027, além das doses já entregues.

Público-alvo e próximos passos

A vacinação contra a dengue no Brasil, que começou em municípios mais afetados, já está disponível em todo o país. O público-alvo atual são crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. A escolha dessa faixa etária se deu pela robustez dos dados de segurança para o grupo de 4 a 16 anos, e pela maior chance de adoecimento grave entre 10 e 14 anos, segundo Eder Gatti.

A ampliação para outras faixas etárias é um desejo, mas Gatti enfatizou a necessidade de cautela com questões operacionais, orçamentárias e de segurança. O PNI continua monitorando os dados de segurança e imunogenicidade da vacina.

Vacina do Butantan suspensa

A aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan permanece suspensa. A decisão ocorreu após a identificação de três casos de dengue grave e dois óbitos em mais de 500 mil vacinados, que coincidiram temporalmente com a vacinação. Embora a causalidade ainda não esteja confirmada, o Ministério da Saúde decidiu pela suspensão em junho para investigações complementares.

Gatti classificou a vacina do Butantan como uma "grande esperança para o país" e uma tecnologia nacional. A expectativa era vacinar entre 40 a 60 milhões de pessoas por ano, o que permitiria cobrir toda a população elegível em três anos. No entanto, é crucial sanar as lacunas de segurança antes de retomar a aplicação.

O que diz a pesquisa

Um estudo intitulado "EFICÁCIA DA VACINA QDENGA NA PREVENÇÃO DA DENGUE: REVISÃO INTEGRATIVA DAS EVIDENCIAS CLÍNICAS", publicado no Congresso Nacional de Medicina em 2026, analisou a eficácia clínica da vacina Qdenga (TAK-003) contra a dengue. A revisão integrativa da literatura, que abrangeu publicações entre 2017 e 2025, selecionou 20 estudos.

Os resultados indicam uma eficácia global da vacina entre 70% e 84%, com redução significativa nas hospitalizações e um baixo índice de eventos adversos graves. A vacina demonstrou maior efetividade em populações previamente expostas ao vírus, mantendo um perfil imunogênico equilibrado e segurança adequada.

Conclui-se que a Qdenga é uma ferramenta promissora para o controle global da dengue, mas sua implementação deve ser acompanhada por vigilância epidemiológica contínua e estudos de efetividade em condições reais para consolidar seu impacto em saúde pública.

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