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Bradesco: Lucro sobe 14,6% no 3T26, mas inadimplência e spreads pressionam resultados

23 de outubro de 2026
Bradesco: Lucro sobe 14,6% no 3T26, mas inadimplência e spreads pressionam resultados

Destaques

  • •Bradesco reportou lucro líquido recorrente de R$ 7,1 bilhões no 3T26, alta de 14,6% na comparação anual.
  • •Aumento da inadimplência acima de 90 dias para 4,6% e queda nos spreads pressionam a qualidade dos ativos e a rentabilidade do banco.
  • •Analistas divergem sobre as perspectivas para 2027, com foco na evolução da qualidade da carteira de crédito e no cenário macroeconômico.

O Bradesco divulgou seus resultados do terceiro trimestre de 2026 (3T26), registrando um lucro líquido recorrente de R$ 7,1 bilhões. Este valor representa uma alta de 14,6% em relação ao mesmo período de 2025 e ficou em linha com as expectativas do mercado. Foi o 11º trimestre consecutivo de crescimento do lucro recorrente, embora o ritmo de avanço trimestral tenha sido o menor da sequência, com 0,8%.

Apesar do resultado positivo, a composição do balanço acendeu alertas entre analistas. A inadimplência acima de 90 dias (Over 90) atingiu 4,6% em setembro, um aumento em relação aos 4,3% de junho e aos 4,1% de um ano antes. Entre pessoas físicas, o índice subiu para 5,8%, e nas micro, pequenas e médias empresas, para 4,9%. As despesas com Provisão para Devedores Duvidosos (PDD) expandida também cresceram 24,3% em 12 meses, somando R$ 10,6 bilhões.

Qualidade da carteira sob pressão

O aumento da inadimplência, especialmente em crédito para pequenas empresas e pessoas físicas, foi o principal ponto de atenção. O índice de cobertura de crédito caiu para 143%, ante 152% no trimestre anterior. Analistas apontam que a formação de novos créditos problemáticos tem superado o ritmo de constituição de provisões, pressionando a cobertura e elevando o custo de risco.

O CEO do Bradesco, Marcelo Noronha, reconheceu o cenário de maior pressão sobre o crédito e a inadimplência, mas defendeu que o banco possui um mix de carteira mais seguro, com maior participação de operações com garantia. Ele destacou que a carteira de crédito expandida cresceu 11,1% em 12 meses, para R$ 1,15 trilhão, com avanço concentrado em pessoas jurídicas.

Controle de custos e desafios futuros

Um ponto positivo do trimestre foi o controle de despesas operacionais, que ficaram abaixo das projeções de mercado e contribuíram para a melhora dos indicadores de eficiência. O Índice de Eficiência Operacional (IEO) de 12 meses foi de 47,2%. No entanto, a divisão de seguros apresentou um desempenho abaixo do esperado, com queda de cerca de 9% nas receitas devido a menores resultados financeiros e aumento da sinistralidade.

As perspectivas para 2027 dividem os analistas. Alguns veem o Bradesco como beneficiário de um cenário macroeconômico mais favorável, com juros menores e melhora gradual da inadimplência. Outros alertam que a deterioração do crédito pode pressionar as estimativas de lucro, tornando o ponto de partida para o próximo ano mais desafiador. O banco manteve suas projeções (“guidance”) para 2026.

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