Bradesco e XP cortam projeções de PIB e elevam inflação para 2027

Destaques
- •Bradesco e XP revisaram projeções de crescimento do PIB e inflação para 2027, antecipando cenário mais desafiador para a economia brasileira.
- •A piora nas apostas reflete incertezas sobre a política fiscal e econômica do novo governo, além de fatores como aperto financeiro e desvalorização do real.
- •O mercado aguarda o anúncio da equipe econômica e das medidas fiscais para avaliar o impacto na trajetória da inflação e do crescimento.
O Bradesco e a XP revisaram fortemente suas projeções econômicas, passando a prever uma inflação bem mais alta e uma atividade praticamente estagnada em 2027. A piora nas apostas vem após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que ainda não anunciou qual será a equipe econômica e a política fiscal do seu quarto mandato, adicionando incerteza a um mercado que já reagiu negativamente à derrota de Flávio Bolsonaro (PL), que defendia um ajuste mais intenso nas contas públicas.
Projeções de Crescimento e Inflação
O Bradesco reduziu a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para este ano de 1,7% para 1,5%, e cortou a estimativa para 2027 de 1,0% para 0,4%. Para a inflação, o banco projeta uma alta de 5,5% neste ano (contra 4,9% antes) e de 5,3% em 2027 (bem acima dos 4,1% estimados anteriormente).
A XP, por sua vez, reduziu as projeções para o PIB em 2026 de 1,7% para 1,5% e, para o ano que vem (2027), de 1,0% para 0,3%. A instituição financeira ainda revisou as previsões para a inflação de 5,1% para 5,2% neste ano e de 4,4% para 5,5% em 2027.
Fatores de Piora na Economia
O Bradesco atribui a piora a uma combinação de condições financeiras mais restritivas, menor confiança e desaceleração do crédito. O banco citou um cenário substancialmente mais desafiador para a inflação diante de choques de oferta, desvalorização do real, redução da jornada de trabalho no país e implementação da reforma tributária. O cenário também incorpora as despesas públicas já comprometidas durante a campanha eleitoral de Lula.
A XP justifica a revisão com o aperto adicional das condições financeiras, o elevado endividamento de empresas e famílias, menor impulso fiscal e baixa contribuição dos setores menos sensíveis ao ciclo. A instituição também menciona a materialização de riscos ligados à mudança na jornada de trabalho, persistência do petróleo em níveis altos, câmbio mais depreciado e implementação da reforma tributária.
O Que Vem a Seguir
O Bradesco ressaltou que o arcabouço fiscal precisa ser reforçado para ancorar as expectativas. O mercado aguarda o anúncio da equipe econômica e das políticas que serão implementadas pelo governo para avaliar o impacto na trajetória da inflação e do crescimento econômico do país.
Na semana passada, o Itaú já havia piorado suas previsões, apostando em um crescimento do PIB de 0,5% no próximo ano (contra 1,2% antes) e em uma inflação de 6,1% em 2027 (4,6% antes).



