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Bolsas dos EUA expandem horário de negociação para atender demanda internacional

02 de novembro de 2026
Bolsas dos EUA expandem horário de negociação para atender demanda internacional

Destaques

  • •Volume de ações negociadas fora do horário regular das bolsas americanas cresceu 359% em agosto de 2026.
  • •A Nasdaq planeja operar 23 horas por dia, cinco dias por semana, a partir de dezembro, para capturar essa demanda.
  • •A expansão do horário e a tokenização de ativos são vistas como tendências para facilitar o acesso ao mercado financeiro global.

O mercado de ações dos Estados Unidos está se adaptando a um novo ritmo, com um número crescente de investidores operando fora do horário tradicional de pregão. Em agosto de 2026, o volume médio diário de ações negociadas entre 20h e 4h no país saltou 359% em relação ao mesmo período de 2025, atingindo 144,6 milhões de papéis. O valor financeiro movimentado nessa faixa horária alcançou US$ 7,4 bilhões por dia, um aumento anual de 249%, segundo dados da Securities and Exchange Commission (SEC).

Embora ainda represente menos de 1% do volume total do mercado americano, essa negociação noturna está ganhando escala e forçando bolsas, corretoras e empresas de infraestrutura financeira a repensar um modelo de funcionamento que, por décadas, esteve concentrado em poucas horas do dia. A demanda é impulsionada principalmente por investidores internacionais, com destaque para a Ásia. Para quem está em cidades como Hong Kong, Singapura ou Seul, o horário regular de Wall Street coincide com a noite ou a madrugada local, tornando a negociação durante o próprio expediente uma nova janela de acesso ao maior mercado de capitais do mundo.

Demanda internacional e institucional

De acordo com a SEC, contas classificadas como estrangeiras foram responsáveis por 37% do volume de ações negociadas durante a madrugada no segundo trimestre de 2026. Investidores institucionais americanos representaram aproximadamente 7% desse volume. Essa crescente participação estrangeira sinaliza uma oportunidade para as bolsas americanas expandirem seu alcance global e capturarem mais liquidez.

A Nasdaq está atenta a essa tendência e pretende iniciar operações 23 horas por dia, cinco dias por semana, a partir de 6 de dezembro. A mudança incluirá uma nova sessão entre 21h e 4h (horário de Nova York), com uma pausa diária de uma hora para manutenção e processamento de operações. Essa iniciativa visa atender à demanda de investidores que não conseguem operar no horário convencional.

Tokenização e infraestrutura financeira

Um mercado que opera 24 horas por dia, assim como a cidade de Nova York, é uma das principais apostas de plataformas que trabalham com ativos tokenizados. Essa camada de infraestrutura tecnológica permite representar ativos financeiros por meio de registros digitais em blockchain, abrindo caminho para negociações e transferências fora da infraestrutura convencional das bolsas.

Johann Kerbrat, vice-presidente sênior e responsável pelos negócios de criptoativos e internacionais da Robinhood, destacou que cerca de 70% do volume negociado em ações e ETFs tokenizados da companhia ocorre fora do horário regular das bolsas americanas. Desde o lançamento da oferta em julho, a operação de ativos tokenizados da Robinhood já ultrapassou 200 mil carteiras e movimentou bilhões de dólares.

O movimento também aproxima empresas de blockchain de grandes bancos tradicionais. Durante o evento Swell, a Ripple anunciou a ampliação de sua parceria com o BNY, um dos maiores bancos custodiantes do mundo, para expandir os serviços de custódia de ativos digitais e explorar aplicações da tokenização no mercado financeiro. "Isso faz parte de uma tendência dos bancos de serem cada vez mais crypto-friendly no mercado de ativos digitais", afirmou Silvio Pegado, diretor-geral da Ripple para a América Latina.

Impacto no Brasil e próximos passos

Para que os mercados funcionem por mais horas, é necessário modernizar a infraestrutura responsável pela movimentação de recursos, custódia de ativos e liquidação de operações. No Brasil, segundo Lucas Schoch, diretor de Desenvolvimento de Negócios da RippleX, essa mudança pode facilitar a entrada de investidores estrangeiros e reduzir significativamente o tempo necessário para realizar operações internacionais.

"Ainda é possível ganhar um tempo de cinco meses nesse fluxo operacional, com burocracia. Então, mesmo que a regulação seja exatamente como é hoje no mercado tradicional, só por esses rails a gente está falando de cinco meses a menos de operação, será um fluxo muito mais inteligente", disse Schoch. Essa economia de tempo viria da redução de etapas operacionais e intermediários. A tecnologia, porém, não elimina as exigências regulatórias aplicáveis aos investimentos.

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