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Bobos-pequenos sofrem com jet lag e desviam rota em até 15 graus

07 de novembro de 2026
Bobos-pequenos sofrem com jet lag e desviam rota em até 15 graus

Destaques

  • •Aves marinhas que voam rápido para casa sofrem com desorientação similar ao jet lag humano.
  • •Estudo revela que bobos-pequenos podem desviar de suas rotas em até 15 graus devido à dessincronização do relógio biológico.
  • •Pesquisadores investigam outros efeitos do jet lag em aves e se o fenômeno afeta outras espécies migratórias.

Aves marinhas que realizam longas viagens de volta para casa em alta velocidade podem sofrer com um distúrbio semelhante ao jet lag em humanos. Os bobos-pequenos (Puffinus puffinus) têm seu relógio biológico interno dessincronizado com o horário local ao voarem rapidamente em direção ao leste, o que pode causar desorientação e desvios de rota de até 15 graus. O estudo, publicado na revista Science, sugere que esse efeito, embora sutil, pode ser a razão pela qual a espécie não evoluiu mecanismos para evitar o jet lag, pois o erro é pequeno o suficiente para não ameaçar a viagem.

Como o jet lag afeta as aves

O jet lag em aves, assim como em humanos, está relacionado ao ritmo circadiano, o relógio biológico interno que regula funções como sono, alimentação, reprodução e navegação. Esse ritmo é influenciado pela luz e escuridão. Durante suas migrações, os bobos-pequenos utilizam o sol como uma bússola para se orientar, ajustando sua rota com base na posição do astro. A dependência do relógio interno para interpretar as mudanças na posição solar é crucial para manter a direção correta.

Essas aves marinhas passam grande parte de suas vidas sobre o Oceano Atlântico. Na temporada de reprodução, um dos parceiros fica no ninho enquanto o outro viaja por até duas semanas em busca de alimento, muitas vezes a centenas de quilômetros de distância. Na volta para a colônia, no sentido leste, o voo é realizado em alta velocidade, frequentemente completando o percurso em cerca de um dia. Os pesquisadores suspeitam que essa rapidez na travessia de fusos horários seja a causa da dessincronização.

Desvios de rota confirmados

Para testar a hipótese, os cientistas analisaram 20 anos de dados de rastreamento por GPS de 1.045 bobos-pequenos durante a temporada reprodutiva. Foram examinadas 3.688 viagens de busca por alimento, das quais 1.837 voos contínuos de retorno ao ninho, no sentido leste, foram isolados para análise.

A previsão era que o jet lag causaria desvios na rota no sentido horário. Os dados confirmaram essa expectativa, mostrando desvios de até 15 graus nas trajetórias das aves. No entanto, os autores ressaltam que esses desvios não são considerados significativos. Em uma viagem de aproximadamente 1.000 quilômetros, um erro médio de 7 graus resultaria em um acréscimo de apenas cerca de 5 km ao percurso total, um impacto mínimo na navegação geral.

O que diz a pesquisa

Um estudo publicado na revista Science em 29 de outubro de 2026, intitulado "Rapid longitudinal flights cause time shifts and Sun compass error", investigou como os voos rápidos em longas distâncias longitudinais afetam a navegação de animais que utilizam o sol como bússola. Os pesquisadores utilizaram dados de GPS para analisar bobos-pequenos (Puffinus puffinus) e descobriram que essas aves, ao viajarem para o leste, experimentam deslocamentos temporais que causam erros previsíveis na orientação da bússola solar. O estudo observou que o uso da bússola solar persiste mesmo quando há disponibilidade de outros sinais de navegação. As descobertas abrem novas frentes para a pesquisa em cronobiologia na natureza, sugerindo que movimentos longitudinais rápidos podem impactar outros processos regidos pelo relógio biológico e que mecanismos cronobiológicos conservados impõem restrições significativas à navegação.

Próximos passos

Com a confirmação de que os bobos-pequenos sofrem com o jet lag, o próximo passo da pesquisa é investigar quais outros efeitos esse fenômeno pode ter sobre as aves. Os cientistas pretendem verificar se as aves erram horários de comportamentos essenciais ou se sofrem efeitos fisiológicos, de forma análoga ao que ocorre com os humanos. Embora o estudo tenha se concentrado nesta espécie específica, os pesquisadores levantam a possibilidade de que outros animais que realizam longos deslocamentos, como outras aves, morcegos e insetos, também possam ser afetados pelo jet lag.

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