BMP acelera reorganização após ataque hacker e lança plataforma de segurança

Destaques
- •A BMP, empresa de infraestrutura financeira, está passando por uma profunda reorganização após sofrer um ataque hacker que causou prejuízo de mais de R$ 540 milhões em junho de 2025.
- •A companhia pretende transformar o reforço de suas defesas em um novo negócio, com o lançamento da plataforma Cyberdome, prevista para 2027.
- •As mudanças incluem a contratação de novos executivos, ampliação da equipe de GRC e a transformação da governança corporativa, dependendo de aprovação do Banco Central.
A BMP, empresa de infraestrutura financeira, está acelerando uma reorganização interna após ter sido alvo do maior ataque hacker contra o sistema financeiro nacional em junho de 2025, que resultou em um prejuízo superior a R$ 540 milhões. A companhia agora planeja monetizar o aprimoramento de suas defesas cibernéticas, transformando-o em um novo braço de negócio.
O processo de reestruturação da governança corporativa da BMP teve início no começo deste ano. Marcelo Schucman, com experiência em empresas como Stone e Swap, assumiu o cargo de COO para liderar as operações e a expansão do negócio. Carlos Benitez, sócio-fundador, mantém a posição de CEO, mas com um foco maior em estratégia e novas iniciativas, atuando mais como chairman.
“Quando cheguei, tinha um plano com o Carlos de dois anos. Mas dois anos ia ser muito devagar e combinamos de fazer em seis meses”, afirmou Schucman. A nova liderança trouxe consigo Luiz Conrado Sundfeld (ex-Rabobank) como CFO e Rodrigo Melgar Rodrigues (ex-Nubank, Santander) como CTO. A empresa também planeja a transição de seu conselho consultivo para um conselho de administração, com a nova diretoria estatutária aguardando aprovação do Banco Central.
Reforço em Segurança e Controles
Uma das mudanças mais significativas ocorreu na área de Governança, Riscos e Compliance (GRC), que expandiu sua equipe de cerca de cinco para mais de 50 profissionais. Essa ampliação acompanha a revisão de processos de uma empresa que cresceu rapidamente, fornecendo infraestrutura para fintechs e outras companhias oferecerem serviços financeiros.
“A BMP teve uma história de muito sucesso comercial. Crescemos muito rápido e as dores do crescimento vieram”, explicou o COO. O novo modelo operacional foi dividido em três eixos: comercial; produtos, operações e tecnologia; e governança e suporte. A reorganização visa a revisão de responsabilidades e a automação de processos manuais.
Impulsionadores da Mudança
A aceleração da reorganização foi motivada por diversos fatores. O ataque hacker à C&M, fornecedora de tecnologia que conectava instituições financeiras à infraestrutura de pagamentos, permitiu a realização de transferências indevidas de recursos da BMP mantidos no Banco Central. Adicionalmente, a Operação Cliente Fantasma da Polícia Federal, que investigou falhas na identificação de clientes e comunicação de operações suspeitas para lavagem de dinheiro, também pressionou a empresa.
O ambiente regulatório mais exigente para o Banking as a Service (BaaS), modelo em que instituições autorizadas fornecem infraestrutura para oferta de produtos financeiros, também foi um fator. Uma resolução conjunta do Banco Central e do Conselho Monetário Nacional, publicada em novembro de 2025, regulamentou esses serviços, abrindo uma oportunidade comercial para ferramentas de controle e segurança.
Cyberdome: O Novo Negócio
É nesse cenário que a BMP pretende posicionar o Cyberdome, uma plataforma de tecnologia focada em segurança, gestão de riscos e compliance, que já está em fase de testes internos. O lançamento para outras instituições financeiras está previsto para 2027. O desenvolvimento da plataforma é parte da transformação da empresa, que originou R$ 27 bilhões em crédito no ano passado e projeta R$ 30 bilhões para este ano.
O projeto nasceu da colaboração entre Schucman e Rodrigues, com a ideia inicial de desenvolver uma solução para outras empresas. A proposta do Cyberdome é integrar informações de diferentes áreas, como operação, riscos e compliance, para que agentes de inteligência artificial identifiquem padrões suspeitos e executem ações. Rodrigues destacou que a infraestrutura pode processar até 100 mil eventos por segundo.
A plataforma já identificou internamente uma fraude de desvio de quase R$ 2 milhões da própria BMP, acionando as autoridades. A empresa estuda um modelo de cobrança baseado no uso de eventos e agentes de IA, com diferentes capacidades contratadas. A distribuição poderá envolver associações do mercado e parceiros especializados em segurança, permitindo o compartilhamento de informações sobre ameaças entre instituições.
“Um mercado mais seguro é um mercado onde todo mundo ganha. E isso não inibe a competição”, afirmou o CTO. Antes da oferta externa, a BMP pretende desenvolver mais funcionalidades e ampliar os testes internos. A nova frente de negócio visa diversificar as receitas e exige a demonstração de resultados concretos da reorganização na própria operação da empresa.
Matérias originais
- A vida após o ataque hacker: BMP refaz gestão e prepara novo negócio · neofeed.com.br



