Blue Origin adia retorno do foguete New Glenn para janeiro de 2027

Destaques
- •A Blue Origin adiou o retorno do seu foguete New Glenn para janeiro de 2027, após problemas na reconstrução da plataforma de lançamento.
- •O atraso impacta planos da Amazon para sua constelação de satélites e a disputa da Blue Origin com a SpaceX por contratos.
- •A empresa busca acelerar operações e aumentar a frequência de lançamentos para atender demandas comerciais e governamentais.
A Blue Origin, empresa espacial de Jeff Bezos, adiou para janeiro de 2027 o retorno aos voos de seu foguete New Glenn. A expectativa inicial era retomar as operações ainda em dezembro deste ano, mas a reconstrução da plataforma de lançamento em Cabo Canaveral, na Flórida (EUA), demandou mais tempo do que o previsto. O mau tempo durante o verão no hemisfério norte também contribuiu para o atraso.
A mudança foi comunicada pelo CEO da companhia, Dave Limp, em memorando enviado aos funcionários. Segundo o executivo, a equipe avançou na recuperação da estrutura, mas o processo tem sido desafiador. "Esse pequeno ajuste não diminui o que conquistamos nem a importância do trabalho que ainda temos pela frente. Retornar o New Glenn aos voos continua sendo nossa principal prioridade", escreveu Limp.
Reconstrução da plataforma e investigação da explosão
O foguete está sem voar desde maio, quando uma explosão durante um teste de ignição danificou seriamente a infraestrutura de lançamento da empresa. A anomalia ocorreu em 28 de maio, durante teste de fogo estático do New Glenn no Complexo de Lançamento 36. A investigação apontou a válvula principal de oxigênio de um dos motores BE-4 como origem do problema.
A empresa realizou testes em componentes e motores para entender melhor a falha e desenvolver medidas de correção. A Blue Origin informou que faria pequenas modificações na válvula, com possibilidade de adaptação aos motores já existentes. Além dos trabalhos no foguete, a companhia precisou recuperar a infraestrutura atingida pela explosão.
A torre de acesso aos veículos e a ponte de lançamento foram reconstruídas ou restauradas. Equipamentos importantes, como a torre contra raios e o sistema usado para transportar e erguer o foguete, foram perdidos. Em junho, a Blue Origin anunciou que não reconstruiria a plataforma exatamente como era antes, optando por um modelo híbrido de integração horizontal e vertical para acelerar a retomada das operações.
Impactos para a Amazon e a disputa com a SpaceX
O adiamento representa um obstáculo para a Amazon, que conta com o New Glenn para colocar parte de sua constelação de internet via satélite, a Leo, em órbita. Enquanto o foguete da Blue Origin permanece em solo, a companhia de Jeff Bezos recorreu a outros fornecedores, como United Launch Alliance e Arianespace.
A Arianespace, por exemplo, anunciou missão com 36 satélites da Amazon Leo a bordo de foguete Ariane 6, com lançamento previsto para não antes de 23 de novembro. A situação também pressiona a Blue Origin em sua disputa com a SpaceX, de Elon Musk. A empresa de Bezos tenta aumentar a frequência de lançamentos do New Glenn para conquistar mais clientes comerciais e contratos governamentais.
Planos ambiciosos e o programa Artemis
A Blue Origin tem planos ambiciosos para suas operações na Flórida. Em outubro, anunciou investimentos em instalações de fabricação e lançamento com o objetivo de viabilizar múltiplos voos por semana até o fim da década. A companhia também solicitou autorização para elevar o limite de lançamentos anuais no Complexo 36 de 12 para 50.
O foguete New Glenn ainda é importante para os planos da NASA de retornar à Lua. A agência selecionou a Blue Origin para desenvolver um módulo de pouso lunar que será utilizado no programa Artemis. Com o novo cronograma, a empresa terá de concluir a recuperação da estrutura e preparar o veículo antes de tentar novamente colocar o New Glenn em operação.
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- Explosão força Blue Origin a adiar lançamento de foguete para 2027 · olhardigital.com.br


