BIM gera economia de R$ 1,3 milhão em obra e reduz tempo de levantamento em 73%

Destaques
- •Metodologia BIM permitiu identificar R$ 1,3 milhão em economias diretas e antecipar 1,5 mil interferências em projeto da Engemon.
- •Apesar de 95% dos profissionais terem familiaridade com BIM, apenas 33,8% o experimentaram concretamente, segundo pesquisa do Confea.
- •Engemon aplica BIM em mais de 20 obras, com 700 usuários, visando integrar informações e capacitar equipes para ganhos de produtividade.
A metodologia Building Information Modeling (BIM), conhecida como BIM, tem demonstrado potencial para gerar economias significativas e otimizar processos na construção civil brasileira. Em um projeto desenvolvido pela Engemon, a aplicação da tecnologia resultou em aproximadamente R$ 1,3 milhão em economias diretas, antecipou cerca de 1,5 mil interferências entre diferentes disciplinas de engenharia e reduziu em 73% o tempo de levantamento de quantitativos, comparado aos métodos manuais.
Esses resultados surgem em um cenário onde a digitalização da construção ainda enfrenta desafios. Uma pesquisa divulgada pelo Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) em agosto de 2026, com base em dados de 2024, indicou que mais de 95% dos profissionais de engenharia e agronomia têm familiaridade com BIM. No entanto, apenas 33,8% realizaram experimentações concretas com a metodologia, enquanto 56,7% ainda estão em fase inicial de aprendizado. O levantamento também apontou que 90,6% dos profissionais relatam desvios recorrentes de prazo e orçamento em seus projetos.
Otimização de custos e antecipação de problemas
Na Engemon, o BIM é utilizado para integrar informações de arquitetura, estruturas, elétrica, hidráulica e outras áreas antes que os projetos cheguem ao canteiro de obras. Essa etapa de compatibilização digital permite identificar e corrigir conflitos que poderiam levar a alterações, desperdícios e horas extras de trabalho.
Em um projeto específico analisado pela empresa, foram identificadas economias de cerca de R$ 900 mil com a reengenharia da estrutura metálica e outros R$ 400 mil com a otimização do projeto de luminárias. Esses ganhos diretos representaram aproximadamente 5,2% do valor total do contrato. Estimativas internas da Engemon sugerem que os impactos totais, incluindo ganhos indiretos com produtividade e redução de retrabalho, podem ser ainda maiores, variando conforme as características de cada empreendimento.
Compatibilização de projetos e redução de retrabalho
Um dos principais benefícios do BIM é a capacidade de compatibilizar projetos, evitando que problemas como tubulações hidráulicas e infraestruturas elétricas projetadas para o mesmo espaço sejam descobertos apenas durante a construção. No projeto da Engemon, a identificação e correção de aproximadamente 1,5 mil incompatibilidades na fase de projeto reduziram a necessidade de interrupções na obra, mobilização de equipes e refações.
“O verdadeiro ganho do BIM não está apenas em visualizar uma construção em três dimensões. Ele está na capacidade de tomar decisões antes que um problema chegue à obra. Quando conseguimos antecipar uma incompatibilidade, estamos evitando horas de trabalho, desperdício de materiais, alterações de cronograma e custos que surgiriam somente durante a execução”, explicou Pedro Henrique, Coordenador de Projetos da Engemon.
Eficiência no levantamento de quantitativos e acesso à informação
A metodologia também transformou o processo de levantamento de materiais. Tradicionalmente manual e sujeito a erros, essa atividade passou a ser extraída dos modelos digitais com precisão de cerca de 98%, segundo a Engemon. O tempo dedicado ao levantamento foi reduzido em aproximadamente 73%.
Atualmente, a Engemon aplica o BIM em mais de 20 obras, com cerca de 700 usuários ativos em um Ambiente Comum de Dados (CDE). Essa estrutura centralizada permite que engenheiros, projetistas e profissionais em campo acessem modelos, consultem projetos, realizem medições e obtenham dados técnicos atualizados, diminuindo o risco de utilizarem versões desatualizadas de documentos.
“A transformação digital da engenharia só gera resultado quando a tecnologia chega efetivamente às pessoas que tomam decisões e executam o projeto. Por isso, além de desenvolver modelos, é necessário integrar informações, padronizar processos e capacitar as equipes de campo para utilizar esses dados no dia a dia da obra”, complementou Pedro Henrique.
A capacitação profissional é apontada como um gargalo. A pesquisa do Confea revelou que 99% dos participantes necessitam de treinamento em transformação digital. Na Engemon, 11 profissionais obtiveram certificação internacional da buildingSMART, dez têm previsão de conclusão até setembro de 2026, e mais de 30 colaboradores passaram por treinamentos em ferramentas BIM.



