Banco da Inglaterra eleva juros pela 1ª vez em 3 anos e alerta sobre inflação

Destaques
- •Banco da Inglaterra aumenta taxa de juros para 4% e sinaliza novos aumentos se conflito no Oriente Médio persistir.
- •Inflação no Reino Unido deve atingir 5% em meados de 2025, mais que o dobro da meta, pressionando o custo de vida.
- •Aumento de juros visa conter pressões inflacionárias decorrentes dos altos preços da energia, com projeções de retorno à meta apenas em 2028.
O Banco da Inglaterra elevou sua taxa básica de juros para 4% nesta quinta-feira (5), marcando o primeiro aumento em mais de três anos. A decisão, tomada pelo Comitê de Política Monetária com votação de 8 a 1, visa combater a inflação crescente no Reino Unido, que o banco central projeta atingir cerca de 5% em meados de 2025, o dobro da meta de 2%.
A pressão inflacionária, impulsionada por meses de altos preços da energia, foi o principal fator para a elevação dos juros. O presidente do banco central, Andrew Bailey, declarou que o aumento atual não deve ser o primeiro de uma longa sequência, mas alertou que, a menos que o conflito entre Estados Unidos e Irã seja resolvido, novos aumentos serão prováveis. O banco revisou suas projeções de inflação para cima, prevendo que ela só retorne à meta de 2% no terceiro trimestre de 2028, seis meses mais tarde do que o estimado anteriormente.
Pressões inflacionárias e o conflito no Oriente Médio
A inflação britânica atingiu um pico médio projetado de 4,8% no segundo trimestre de 2025. Em um cenário mais adverso, com o preço do petróleo a US$130 o barril, a inflação poderia chegar a 6,2% no terceiro trimestre de 2027. O banco central atribuiu parte da pressão inflacionária aos custos elevados da energia, exacerbados pela tensão geopolítica no Oriente Médio.
O Comitê de Política Monetária votou majoritariamente pelo aumento para 4%, mas a economista Catherine Mann, que havia defendido uma ação mais rápida no controle da inflação, votou por uma alta ainda maior, para 4,25%. A dissidência de Mann indica uma preocupação com a persistência da inflação e a necessidade de medidas mais assertivas.
Crescimento econômico e o impacto da IA
Apesar das preocupações com a inflação, o Banco da Inglaterra revisou para cima suas expectativas de crescimento econômico para 1,6% em 2024 e 1,3% em 2025. Essa revisão positiva foi atribuída, em parte, aos gastos com inteligência artificial (IA) e a um impulso temporário do orçamento anual apresentado pelo ministro das Finanças, John Healey.
Os dados oficiais fortes deste ano também contribuíram para a revisão otimista. No entanto, o cenário de inflação persistente e a possibilidade de novos aumentos de juros representam um desafio para o novo primeiro-ministro, Andy Burnham, que busca aliviar as pressões sobre o custo de vida da população.
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