Astrônomos registram explosão cósmica com atividade prolongada sem precedentes

Destaques
- •Fenômeno GRB 220706A emitiu raios X por cerca de 27 dias, superando recorde anterior em 20 dias.
- •A longa duração desafia modelos atuais, com hipóteses incluindo magnetar ou interação de jatos com matéria estelar.
- •Novas missões espaciais como a Einstein Probe podem ajudar a identificar eventos semelhantes e entender sua origem.
Astrônomos identificaram uma explosão cósmica, denominada GRB 220706A, que manteve seu mecanismo central ativo emitindo sinais de raios X por aproximadamente 27 dias no referencial do evento, um período significativamente mais longo que o recorde anterior de cerca de seis dias. O fenômeno, detectado em 6 de julho de 2022, é um tipo raro de explosão de raios gama (GRB) e sua prolongada atividade representa um desafio para os modelos científicos atuais.
As explosões de raios gama são alguns dos eventos mais energéticos do universo, frequentemente associados ao colapso de estrelas massivas que podem dar origem a buracos negros e supernovas. No entanto, a emissão tardia de raios X observada na GRB 220706A sugere um processo ativo contínuo que não é totalmente compreendido.
O que pode explicar a explosão?
A GRB 220706A pertence a uma classe rara de explosões de raios gama ultralongas, onde o mecanismo de emissão de energia se estende por um tempo incomum. Uma pista importante é a supernova associada ao fenômeno, indicando o colapso de uma estrela. Contudo, isso por si só não explica a emissão tardia de raios X nem o brilho incomum da supernova.
Uma hipótese é a formação de um magnetar, uma estrela de nêutrons com campo magnético extremamente intenso. Um evento semelhante em 2011 (GRB 111209A) foi associado a uma supernova excepcionalmente brilhante e teorizado como sendo alimentado por um magnetar. A semelhança entre os dois casos sugere um mecanismo parecido para a GRB 220706A.
Outra possibilidade é a interação entre o jato de material expelido pela explosão e camadas densas de matéria que a estrela lançou antes de seu colapso. Cientistas também consideram que a estrela progenitora pode ter sido excepcionalmente grande, com um raio estimado em cerca de mil vezes o do Sol, o que seria necessário para fornecer energia suficiente por tanto tempo. Essa hipótese aponta para estrelas supergigantes azuis, embora ainda existam questões não resolvidas.
Desafios na detecção e próximos passos
A identificação de eventos como a GRB 220706A é dificultada pelas limitações dos instrumentos de observação. Satélites em órbita baixa da Terra podem perder a visão de um alvo a cada 90 minutos, complicando o acompanhamento de fenômenos que duram semanas. Além disso, explosões ultralongas podem ter atividade mais intensa em raios X do que em raios gama, exigindo instrumentos específicos.
Missões recentes, como a Einstein Probe, que é especialmente sensível a raios X, podem ser cruciais para encontrar outros eventos semelhantes. A detecção de mais exemplos ajudará a determinar se essas explosões ultralongas representam uma categoria distinta de fenômeno estelar ou se fazem parte da mesma população dos eventos convencionais.
Por enquanto, a GRB 220706A permanece sem uma explicação definitiva, demonstrando que os mecanismos de alimentação de explosões cósmicas podem ser mais duradouros e complexos do que os modelos atuais preveem.
O que diz a pesquisa
Um estudo publicado no arXiv (preprint) em 2026, intitulado "GRB 220706A: a gamma-ray burst with a month-long engine and a luminous supernova", apresenta observações da explosão de raios gama GRB 220706A. Segundo o resumo, o evento exibiu episódios de raios X que duraram até aproximadamente 51 dias após o gatilho, o que corresponde a 27 dias no referencial do GRB, marcando a atividade mais tardia de um mecanismo central já observada.
O estudo também identifica uma provável supernova associada, que, após considerar a extinção óptica, apresenta uma magnitude absoluta de até -20.25, semelhante às supernovas energéticas encontradas com GRBs ultralongos. As descobertas implicam em modelos para os progenitores de GRBs ultralongos e possíveis mecanismos de alimentação para a atividade extremamente tardia do mecanismo central.
Pesquisa citada
- GRB 220706A: a gamma-ray burst with a month-long engine and a luminous supernova
arXiv (preprint) · 2026
Matérias originais
- Uma explosão cósmica durou 27 dias; o que a manteve ativa? · olhardigital.com.br



