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Astrônomos descobrem candidato a planeta anão e sistema com dois anéis em torno de estrela morta

28 de outubro de 2026
Astrônomos descobrem candidato a planeta anão e sistema com dois anéis em torno de estrela morta

Destaques

  • •Novo objeto transnetuniano, 2026 ED138, pode ser um dos maiores já encontrados além de Plutão.
  • •Sistema com dois anéis de gás e poeira ao redor de uma anã branca oferece pistas sobre o futuro de sistemas planetários.
  • •Descobertas foram feitas com o Observatório Vera C. Rubin e o Very Large Telescope (VLT).

Astrônomos anunciaram a descoberta de um candidato a planeta anão, provisoriamente batizado de 2026 ED138, localizado além da órbita de Plutão. O objeto, detectado pelo Observatório Vera C. Rubin no Chile, pode ter entre 600 e 1.500 quilômetros de diâmetro, o que o colocaria entre os maiores corpos conhecidos nessa região do Sistema Solar. A descoberta foi comunicada nesta quarta-feira (27) pelo Centro de Planetas Menores (MPC) da União Astronômica Internacional. A confirmação de sua classificação como planeta anão depende de observações adicionais no infravermelho para determinar seu tamanho exato.

Se confirmado, o 2026 ED138 se juntará aos cinco planetas anões já reconhecidos: Plutão, Ceres, Éris, Haumea e Makemake. O objeto foi identificado por Matthew Holman, pesquisador do Centro de Astrofísica Harvard & Smithsonian, que analisou dados do observatório. Ele utilizou um código desenvolvido com o colega Kevin Napier para identificar objetos em movimento em meio a bilhões de registros. A análise de imagens de arquivo da Câmera de Energia Escura (DECam) permitiu rastrear o corpo até 2016, reconstruindo mais de dez anos de sua órbita.

Atualmente, o 2026 ED138 está a cerca de 46 unidades astronômicas do Sol, mais distante que Netuno. Sua órbita, com inclinação de quase 25 graus em relação ao plano do Sistema Solar, o classifica como um objeto transnetuniano clássico quente, sugerindo que pode ter sido deslocado por interações gravitacionais com Netuno. Esses objetos são cruciais para entender a formação do Sistema Solar e a migração dos planetas gigantes.

Por que ainda não é um planeta anão?

Para ser classificado como planeta anão, um corpo celeste precisa ter massa suficiente para que sua própria gravidade o torne aproximadamente esférico. Com base nas estimativas de distância, brilho e refletividade, a equipe de pesquisadores acredita que corpos gelados do tamanho estimado para o ED138 tendem a ser arredondados pela gravidade. No entanto, observações no infravermelho são essenciais para refinar a estimativa de tamanho e confirmar sua natureza esférica.

A descoberta do 2026 ED138 ocorreu em uma região do céu próxima ao plano da Via Láctea, densamente povoada por estrelas, o que dificultava sua identificação. O monitoramento contínuo do céu pelo Rubin, aliado a algoritmos avançados, permitiu localizar o objeto. A estratégia de buscar registros anteriores em imagens já existentes, mesmo sem saber o que procurar, é fundamental para reconstruir órbitas de novos objetos.

Sistema inédito em torno de estrela morta

Em outra frente, astrônomos descobriram uma estrutura inédita ao redor da anã branca J1328−1450: dois anéis separados de gás e poeira, formados por restos de antigos corpos planetários. A descoberta, publicada na revista "Nature Astronomy", foi realizada com o Very Large Telescope (VLT) do Observatório Europeu do Sul (ESO).

Uma anã branca é o núcleo denso que resta após uma estrela como o Sol esgotar seu combustível. Planetas próximos podem ser destruídos nesse processo, enquanto outros corpos podem sobreviver, mas acabar fragmentados, formando discos de poeira e gás. A configuração de dois anéis separados, nunca antes observada, sugere a presença de dois corpos planetários ainda orbitando a anã branca, mantendo os anéis distintos.

A hipótese é que um corpo tenha o tamanho de um asteroide e o outro seja comparável a Ceres, Plutão ou até a Lua. A análise da composição dos anéis revelou diferenças: o anel mais próximo da estrela é rico em magnésio, enquanto o mais distante tem menos. Isso pode indicar origens distintas, seja de dois corpos planetários diferentes ou de partes distintas de um mesmo objeto. Elementos como cálcio, oxigênio e ferro também foram identificados.

Visão do futuro do Sistema Solar

O sistema ao redor da J1328−1450 funciona como um retrato de uma fase futura do nosso próprio Sistema Solar. Daqui a bilhões de anos, o Sol se tornará uma anã branca, podendo destruir planetas próximos. Corpos sobreviventes poderão continuar em órbita, fragmentando-se e espalhando seus restos. Essa descoberta demonstra que o fim de um sistema planetário pode ser mais complexo do que se pensava.

A estrutura em anéis observada na J1328−1450 assemelha-se a formações em discos ao redor de estrelas jovens, onde planetas estão em formação. Isso sugere que processos de organização de matéria em anéis podem ocorrer tanto no nascimento quanto nas etapas finais de sistemas planetários. O observatório Rubin continuará seu monitoramento, com potencial para revelar outros objetos escondidos.

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