Anvisa aprova combinação de imunoterapias para mieloma múltiplo

Destaques
- •Anvisa aprova uso combinado de teclistamabe e daratumumabe subcutâneo para mieloma múltiplo recidivado ou refratário.
- •Estudo MajesTEC-3 mostrou que 80% dos pacientes tratados com a combinação permaneceram vivos e sem progressão da doença após três anos.
- •A nova terapia representa um avanço significativo no controle da doença, ampliando a qualidade de vida e as chances de remissão prolongada.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou recentemente o uso combinado de duas imunoterapias, teclistamabe e daratumumabe subcutâneo, para o tratamento de pacientes adultos com mieloma múltiplo recidivado ou refratário. Essa aprovação representa um marco importante na onco-hematologia, oferecendo novas esperanças para pacientes que já passaram por pelo menos uma linha de terapia anterior.
O mieloma múltiplo é um câncer da medula óssea caracterizado por períodos de controle e recaída. Historicamente tratado com quimioterapia, a doença tem visto transformações significativas com o desenvolvimento de terapias mais precisas e capazes de proporcionar controle prolongado e melhor qualidade de vida.
Avanços em Imunoterapia
Grande parte dessa evolução se deve às imunoterapias, como os anticorpos biespecíficos. Essas moléculas são desenvolvidas para reconhecer simultaneamente dois alvos: uma proteína nas células do mieloma e as células T do sistema imunológico. Ao criarem uma "ponte" entre esses dois tipos celulares, os anticorpos ativam uma resposta imunológica direcionada, levando à destruição do tumor de forma precisa.
Essa abordagem potencializa a capacidade do organismo de combater a doença, funcionando como um ataque direcionado e eficaz contra as células cancerosas.
Resultados do Estudo MajesTEC-3
A aprovação da Anvisa foi baseada nos resultados do estudo MajesTEC-3. A pesquisa demonstrou que aproximadamente oito em cada dez pacientes tratados com a combinação de teclistamabe e daratumumabe subcutâneo permaneceram vivos e sem progressão da doença após três anos de acompanhamento.
A combinação também apresentou uma redução expressiva do risco de progressão da doença ou morte quando comparada ao tratamento padrão. O estudo contou com a participação de pacientes brasileiros, e o Brasil foi o segundo país, após os Estados Unidos, a autorizar essa terapia, evidenciando a contribuição nacional para a geração de evidências científicas internacionais.
Histórico e Perspectivas Futuras
O cenário do tratamento do mieloma múltiplo mudou drasticamente ao longo das décadas. Até os anos 1970, a sobrevida mediana era de cerca de 20 meses. Atualmente, a sobrevida relativa em cinco anos passou de 32% para 62%, segundo o relatório Cancer Statistics 2026 da American Cancer Society.
Médicos agora discutem a possibilidade de cura para o mieloma múltiplo, embora a doença ainda seja marcada por recaídas. As imunoterapias e outras inovações ampliam as chances de respostas profundas e duradouras, melhorando significativamente o prognóstico dos pacientes.
O desafio atual é garantir o diagnóstico precoce, o encaminhamento oportuno ao hematologista e o tratamento baseado em evidências. Um diálogo contínuo entre médicos e pacientes é fundamental para transformar os avanços científicos em benefícios concretos, promovendo qualidade de vida e períodos mais longos de remissão.
Matérias originais
- Mieloma múltiplo: novas terapias abrem discussão sobre possível cura da doença · veja.abril.com.br



