Afastamentos por vício em jogos disparam 5 vezes no Brasil entre 2023 e 2025

Destaques
- •Número de trabalhadores afastados por ludopatia cresceu de 67 para 361 em dois anos.
- •A maioria dos afastados são homens entre 30 e 39 anos, com o setor de serviços liderando.
- •Proibição das apostas online pelo governo federal pode impactar o mercado e a arrecadação.
O número de trabalhadores brasileiros afastados temporariamente do trabalho por transtorno associado ao vício de jogo, conhecido como ludopatia, aumentou cinco vezes entre 2023 e 2025. Os dados, divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), consideraram benefícios por incapacidade temporária concedidos pelo INSS com o código de doença relacionado ao comportamento compulsivo de jogar, sendo a maioria dos casos associada a apostas online. Em 2023, foram registrados 67 afastamentos, número que subiu para 157 em 2024 e alcançou 361 em 2025. A maioria dos trabalhadores afastados é homem (71%), na faixa etária de 30 a 39 anos (44,1%), e o setor de serviços é o que mais registra casos (54%).
Aumento expressivo e perfil dos trabalhadores
O levantamento do MTE, realizado pela Subsecretaria de Estatísticas e Estudos do Trabalho (SEET), aponta um crescimento de 438% nos afastamentos laborais causados pela ludopatia no período analisado. A pesquisa utilizou o código CID F63.0, relacionado ao jogo patológico, como diagnóstico principal ou secundário. O aumento da dependência em apostas e jogos eletrônicos atingiu principalmente os homens, responsáveis por 71% das ocorrências, com maior incidência na faixa etária entre 30 e 39 anos. O setor de serviços lidera os afastamentos, com 54% dos casos, seguido pela indústria (23%) e pelo comércio (20%).
Proibição das apostas online e seus impactos
Em 25 de setembro de 2026, o governo federal proibiu a exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas online no país, por meio da Medida Provisória nº 1.394. Essa decisão, que entrou em vigor em 6 de outubro, visa combater o vício em jogos, que tem sido associado a uma "epidemia de saúde pública e empobrecimento da população". No entanto, a proibição levanta preocupações sobre a segurança jurídica e a possibilidade de o mercado migrar para a ilegalidade, o que poderia dificultar o rastreamento de dinheiro e enfraquecer as ferramentas de jogo responsável. Empresas do setor argumentam que o retorno à proibição gera um impacto negativo triplo na segurança do consumidor, na arrecadação do Estado e nos ecossistemas esportivos. A Lei nº 14.790, sancionada em dezembro de 2023, conhecida como Lei das Bets, já havia regulamentado as apostas de quota fixa no Brasil, estabelecendo regras para operação, tributação e fiscalização. A MP de setembro de 2026 representa um retrocesso nesse sentido, e o Congresso tem até 120 dias para votar o texto e convertê-lo definitivamente em lei.
Matérias originais
- Afastamentos por vício em jogos cresceram 5 vezes em três anos · agenciabrasil.ebc.com.br



