Anatel testa comunicação de satélites com smartphones sem modificações
Destaques
- •Anatel prorroga sandbox para aplicações direct-to-device (D2D) até abril de 2029, permitindo testes de comunicação entre satélites e smartphones.
- •A agência também concedeu à Starlink direito de exploração de satélite na Banda S, com planos de usar para voz, SMS e banda larga D2D.
- •O futuro da conectividade móvel pode envolver a combinação de redes terrestres e satelitais, com o celular buscando sinal tanto em torres quanto em órbita.
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) prorrogou até 22 de abril de 2029 seu ambiente regulatório experimental, conhecido como sandbox, para aplicações direct-to-device (D2D). Essa iniciativa permite testar sistemas onde satélites se comunicam diretamente com dispositivos móveis, utilizando frequências associadas ao Serviço Móvel Pessoal. As regras do sandbox admitem aplicações com caráter comercial e o uso do mesmo número de telefone da rede móvel tradicional.
Em outubro de 2026, a Anatel deu um passo adicional ao conceder à Starlink um novo direito de exploração de satélite associado à Banda S, com 15+15 MHz. A empresa informou à agência que pretende usar essa faixa para aplicações D2D, incluindo voz, SMS e banda larga. A implantação dos satélites V2 Mobile da Starlink está prevista para começar em 2027.
O que muda para o consumidor
A principal mudança é a possibilidade de o smartphone se conectar a satélites mesmo quando não há cobertura de antenas terrestres. Em testes realizados em São Luís (MA) em maio de 2024, satélites de baixa órbita se comunicaram diretamente com smartphones usando a faixa de 800 MHz, sem a necessidade de modificar os aparelhos. Isso significa que a conectividade poderá vir do céu quando a rede terrestre não estiver disponível, mantendo o mesmo aparelho e número de telefone.
Essa tecnologia não visa substituir as torres de celular, mas sim ampliar a cobertura móvel. As operadoras poderão combinar infraestruturas terrestres e não terrestres para entregar o serviço. A ideia de cobertura se expande, passando a depender não apenas da quantidade de antenas em solo, mas também de acordos entre operadoras móveis e empresas de satélites, além do uso eficiente do espectro de frequências.
A evolução da conectividade via satélite
O movimento em direção à integração entre redes celulares e satelitais não é repentino. Desde 2021, constelações de satélites em órbita terrestre baixa (LEO) como as da Starlink e do Projeto Kuiper da Amazon vêm prometendo maior velocidade e menor latência, especialmente para regiões rurais e remotas. Inicialmente, satélites e redes terrestres eram vistos como alternativas.
A chegada da banda larga de órbita baixa a locais como a Antártida, em março de 2024, demonstrou o potencial de preencher lacunas de infraestrutura. Agora, a etapa seguinte é diminuir a distância entre essas duas redes, permitindo que o celular, que antes dependia exclusivamente de torres, possa buscar sinal diretamente em satélites.
Próximos passos e o futuro da rede
O sandbox da Anatel para D2D continuará até abril de 2029, a menos que normas permanentes sejam estabelecidas antes. A agência busca coletar dados técnicos e regulatórios para definir regras definitivas, observando questões de competição, convivência entre sistemas e uso eficiente do espectro.
O futuro da telefonia móvel aponta para uma convergência onde o celular poderá se conectar a redes terrestres e satelitais. A separação entre essas infraestruturas está se tornando menos nítida, e a competição no mercado de conectividade agora envolve não apenas empresas com redes terrestres, mas também aquelas capazes de operar grandes constelações no espaço.
Matérias originais
- O celular começou a procurar sinal no espaço · mittechreview.com.br



