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Americana se torna a única estrangeira com licença de mergulhadora "haenyeo" na Coreia do Sul

21 de outubro de 2026
Americana se torna a única estrangeira com licença de mergulhadora "haenyeo" na Coreia do Sul

Destaques

  • •Kylie Genter é a única estrangeira a obter licença de haenyeo, mergulhadoras tradicionais da Ilha de Jeju, na Coreia do Sul.
  • •A presença de Genter traz esperança para a preservação da tradição, que enfrenta um declínio devido ao envelhecimento das praticantes e à falta de novas vocações.
  • •A história de Genter, que administra um hotel para animais e produz conteúdo sobre a profissão, destaca a importância de manter viva essa herança cultural.

A americana Kylie Genter, de 36 anos, se tornou a única estrangeira a possuir uma licença de haenyeo, as tradicionais mergulhadoras da Ilha de Jeju, na Coreia do Sul. A profissão, que exige mergulhos sem equipamento de respiração para coletar frutos do mar, enfrenta um declínio acentuado devido ao envelhecimento das praticantes e à escassez de novas vocações. A chegada de Genter à vila costeira de Youngrak-ri tem gerado entusiasmo e esperança na preservação desse patrimônio cultural.

As haenyeo, cujo nome significa "mulher do mar", são uma tradição secular originária de Jeju. Elas mergulham em busca de sustento, e a comunidade é marcada por um forte senso de união e cuidado mútuo. Atualmente, a maioria das haenyeo ativas tem 70 anos ou mais, com pouquíssimas jovens aderindo à profissão. Em 2024, a comunidade buscou ativamente novas candidatas, e Genter, que já morava na ilha há dez anos, se voluntariou após seu marido coreano oferecer seu nome em um grupo de bate-papo. Inicialmente barrada por ser estrangeira, ela acabou sendo aceita e obteve a licença.

A jornada de Kylie Genter

Originária do interior de Nova York, Genter se mudou para a Coreia do Sul como professora de inglês após se formar na faculdade. Ela se encantou pela cultura coreana, notando semelhanças entre o ritmo de vida de Nova York e o dos coreanos, como a dedicação ao trabalho e a gentileza por trás de uma aparência por vezes mais reservada. Após quatro anos em Jinju, ela buscou uma oportunidade em Jeju, atraída por uma oferta de trabalho mais interessante e melhor remunerada. Na ilha, ela se conectou com a natureza e a cultura local, o que a levou a se interessar pela tradição das haenyeo.

Genter já possuía alguma experiência com a cultura de mergulho livre, tendo frequentado uma escola de haenyeo para um projeto de inglês. Sua decisão de se tornar uma haenyeo não foi planejada, mas surgiu como uma oportunidade de vivenciar e preservar uma tradição ameaçada. Ela descreve a experiência como uma grande responsabilidade, especialmente por ser a única estrangeira a obter a licença.

Comunidade e aceitação

A integração de Genter na comunidade de haenyeo foi marcada por desafios iniciais, como a dificuldade das mergulhadoras mais velhas em pronunciar seu nome. No entanto, seu comprometimento, demonstrado pela presença diária nos mergulhos, conquistou o respeito e a afeição de suas colegas. A presidente do grupo, Hong, passou a chamá-la de "Kyla" e, posteriormente, de "minha filha", um sinal de profunda aceitação e carinho.

A dinâmica de trabalho das haenyeo é intrinsecamente comunitária. Elas mergulham e cuidam umas das outras, garantindo a segurança de todas. "Se você sair da água antes de todo mundo, não saberá se algo acontecer com os outros enquanto eles ainda estão mergulhando. É uma vida comunitária de mergulho em conjunto, não um trabalho isolado", explica o chefe da pesca da aldeia, Kim Chang-sik. Genter se adaptou a essa filosofia, fortalecendo os laços com suas colegas.

Preservando a tradição e o futuro

Genter busca ativamente desmistificar a profissão e promover a cultura haenyeo. Ela compartilha suas experiências nas redes sociais e produz um podcast com um colega mergulhador, combatendo a ideia de que a tradição está fadada ao desaparecimento. "As pessoas dizem coisas como: 'A última geração de haenyeo, as haenyeo vão desaparecer em breve!', e eu respondo: 'Não, as jovens haenyeo ainda estão aqui!'", afirma.

Além de mergulhar, Genter administra um hotel para animais de estimação com o marido, oferecendo uma fonte de renda complementar e demonstrando sua adaptação à vida na ilha. Sua história não apenas destaca a resiliência de uma tradição milenar, mas também abre portas para a inclusão de estrangeiros em práticas culturais importantes, reforçando a ideia de que o patrimônio pode ser preservado e revitalizado por meio de novas perspectivas e dedicação.

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