Alphabet: Ações despencam 13% com receio sobre custos de IA e busca

Destaques
- •Alphabet, controladora do Google, sofreu a maior queda diária de suas ações desde 2004, perdendo US$ 482 bilhões em valor de mercado.
- •Preocupações com o aumento dos investimentos em infraestrutura de IA e um crescimento abaixo do esperado no negócio de buscas ofuscaram o forte desempenho do Google Cloud.
- •Investidores aguardam sinais de que os altos gastos com IA se traduzirão em receitas recorrentes e margens sustentáveis, enquanto o Google Cloud expande sua oferta de chips.
As ações da Alphabet, controladora do Google, registraram a maior queda diária desde sua abertura de capital em 2004, recuando quase 13% e eliminando US$ 482 bilhões em valor de mercado. A forte desvalorização ocorreu apesar do crescimento expressivo da receita consolidada, que atingiu US$ 127,6 bilhões no terceiro trimestre de 2026, um aumento de 25% em relação ao ano anterior. O mercado reagiu negativamente devido a preocupações com a evolução do negócio de buscas, principal fonte de receita da empresa, e com o volume crescente de recursos destinados à infraestrutura de inteligência artificial (IA), que pressiona a geração de caixa.
Google Cloud se destaca em meio a preocupações
O principal destaque positivo do trimestre foi o Google Cloud, que mais que dobrou sua receita, alcançando US$ 30,7 bilhões, um crescimento de 103%. O desempenho foi impulsionado pela demanda por infraestrutura para IA e serviços da plataforma Google Cloud Platform (GCP). O lucro operacional da divisão avançou de US$ 3,6 bilhões para US$ 11,1 bilhões, reforçando a posição do Google Cloud na disputa por contratos corporativos de infraestrutura e aplicações de IA.
No entanto, o lucro líquido disponível aos acionistas ordinários recuou de US$ 35 bilhões para US$ 26,2 bilhões. O lucro diluído por ação caiu de US$ 2,87 para US$ 2,12, impactado pela reversão de resultados positivos em investimentos financeiros.
Buscas e IA: o dilema do mercado
A receita da divisão Google Services, que inclui buscas, publicidade e YouTube, cresceu 11%, para US$ 96,3 bilhões. A receita do Google Search aumentou 12%, para US$ 63,4 bilhões, mas ficou abaixo da expectativa de analistas, alimentando dúvidas sobre a capacidade do Google de manter o ritmo de expansão de seu negócio mais rentável diante da crescente adoção de IA generativa.
O CEO da Alphabet, Sundar Pichai, afirmou que os investimentos em IA estão impulsionando o crescimento das consultas no mecanismo de busca, mas parte do mercado teme que a IA possa alterar o comportamento dos usuários e exigir investimentos elevados, pressionando o modelo tradicional de publicidade.
Investimentos em IA e fluxo de caixa sob escrutínio
Os investimentos em infraestrutura de IA e nuvem levaram a Alphabet a desembolsar US$ 51,4 bilhões em propriedades e equipamentos no terceiro trimestre, ante US$ 24 bilhões no mesmo período de 2025. Como resultado, o fluxo de caixa livre ficou negativo em US$ 9,1 bilhões, contrastando com os US$ 24,5 bilhões positivos do ano anterior. A empresa encerrou setembro com US$ 265,1 bilhões em caixa.
A Alphabet também está faturando com a venda de chips de IA desenvolvidos internamente, os TPUs (unidades de processamento tensorial), que competem com os da Nvidia. A diretora financeira, Anat Ashkenazi, explicou que a formação de estoques para atender à demanda está drenando o caixa, pois exige investimento em hardware antes do pagamento dos clientes. Apesar disso, as vendas de TPUs devem aumentar significativamente, com a empresa já fornecendo a Anthropic e negociando com a OpenAI.



