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Alphabet: Ações da dona do Google despencam com resultados fracos e custos de IA

29 de outubro de 2026
Alphabet: Ações da dona do Google despencam com resultados fracos e custos de IA

Destaques

  • •Ações da Alphabet caem mais de 11% após resultados decepcionantes em busca e aumento de custos com IA.
  • •Receita de busca cresceu 12%, abaixo do esperado, e fluxo de caixa livre ficou negativo em US$ 9,1 bilhões.
  • •Investidores monitoram o impacto da IA no negócio principal do Google e os próximos gastos da empresa.

As ações da Alphabet, controladora do Google, registraram uma forte queda de mais de 11% nesta quinta-feira (29), após a divulgação de resultados trimestrais que decepcionaram os investidores. A empresa pode sofrer uma perda de até US$ 500 bilhões em valor de mercado se a baixa se confirmar ao final do pregão, o que seria a pior reação pós-balanço da história da companhia desde sua abertura de capital em 2004.

A principal preocupação reside na desaceleração do crescimento da receita de busca e outros, que avançou 12%, para US$ 63,35 bilhões, ficando abaixo das expectativas dos analistas pelo segundo trimestre consecutivo. O ritmo de crescimento vinha de 19% no primeiro trimestre de 2026 e 17% no segundo. Executivos atribuíram parte do impacto à menor monetização do Modo IA (AI Mode) e ao câmbio, que deve ter um efeito maior no quarto trimestre.

Custos de IA e fluxo de caixa negativo

O diretor de negócios da Alphabet, Philipp Schindler, admitiu que o aumento de anúncios nos produtos AI Overviews e AI Mode, e a aceleração na implementação dos modelos Gemini na infraestrutura de anúncios, impactaram os resultados. Apesar de os modelos Gemini terem ajudado anunciantes a gerar mais de 1,5 bilhão de ativos de campanha, o fluxo de caixa livre do trimestre ficou negativo em US$ 9,07 bilhões, superando as expectativas de déficit de US$ 2,70 bilhões. Este é o segundo trimestre seguido com caixa negativo, um cenário inédito desde a abertura de capital.

Os gastos com inteligência artificial cresceram significativamente, ultrapassando US$ 50 bilhões no trimestre. A diretora financeira, Anat Ashkenazi, manteve a previsão de gastos de capital para 2026 entre US$ 195 bilhões e US$ 205 bilhões, com expectativa de aumento significativo em 2027. A empresa também assumiu compromissos futuros superiores a US$ 1 trilhão para data centers, equipamentos e outras obrigações.

Concorrência e o futuro da busca

Parte do mercado vê a busca do Google perder espaço para chatbots como o ChatGPT, da OpenAI, e o Claude, da Anthropic. Analistas temem que a inteligência artificial possa tirar participação da busca e do YouTube, prejudicando a narrativa de monetização da empresa. O Gemini, chatbot do próprio Google, estaria enfrentando dificuldades para acompanhar o ritmo dos concorrentes.

Um analista apontou que os receios sobre o efeito da IA, presentes entre 2023 e 2025, parecem se concretizar nos negócios do Google, embora ressalte que não se deve tirar conclusões com base em um único trimestre. Se os bots personalizados se popularizarem, eles podem se tornar o ponto de partida para o comércio, afetando a posição do Google.

Em contraste, o negócio de nuvem da Alphabet, o Google Cloud, mais que dobrou suas receitas, chegando a quase US$ 31 bilhões, impulsionado pela demanda por serviços de IA e pela venda de capacidade computacional para concorrentes. A carteira de pedidos somou cerca de US$ 560 bilhões, com expectativa de reconhecimento de pouco mais da metade nos próximos 24 meses.

Impacto no mercado e próximos passos

A queda das ações da Alphabet pressionou o índice Nasdaq, que operava em baixa. A Microsoft, por outro lado, teve uma recepção positiva com seus resultados, embora suas ações também tenham cedido no pregão desta quinta-feira, impactadas pelo desempenho da concorrente. O índice Philadelphia SE Semiconductor e ações do setor de software também registraram quedas.

Os investidores agora monitoram o equilíbrio entre os gastos em IA e o fluxo de caixa livre, com a expectativa de que os custos continuem a ser um fator de peso para a Alphabet no próximo ano. A empresa busca financiar essa onda de gastos com emissões de ações, revertendo anos de recompras de seus próprios papéis.

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