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Alergias na vida adulta: entenda o surgimento e os fatores envolvidos

05 de novembro de 2026
Alergias na vida adulta: entenda o surgimento e os fatores envolvidos

Destaques

  • •Alergias podem surgir na vida adulta após um processo de sensibilização do organismo.
  • •Fatores genéticos, ambientais, alterações hormonais e a microbiota intestinal podem influenciar o desenvolvimento de novas alergias.
  • •Diagnóstico preciso e tratamento focado na evitação do agente causador são essenciais para o controle.

O desenvolvimento de alergias na vida adulta, mesmo após anos de convívio com determinados alimentos ou produtos, é um fenômeno que intriga muitos. Esse quadro ocorre porque a alergia não é necessariamente desencadeada no primeiro contato com uma substância, mas sim após um processo de sensibilização, no qual o sistema imunológico passa a identificar o elemento como uma ameaça.

Segundo a médica alergista e imunologista Fernanda América, o sistema imunológico geralmente mantém uma relação de tolerância com diversas substâncias presentes no ambiente e na alimentação. Contudo, essa tolerância pode ser substituída por uma resposta exagerada. Diversos fatores podem contribuir para essa mudança, incluindo predisposição genética, alterações nas mucosas, flutuações hormonais, infecções e exposições ambientais específicas.

O papel da microbiota intestinal

A microbiota intestinal, composta por trilhões de microrganismos, desempenha um papel crucial na regulação do sistema imunológico e na manutenção da integridade da barreira intestinal. Alterações nessa comunidade microbiana, que podem ser causadas pelo uso de antibióticos ou por uma dieta pouco diversificada, têm o potencial de influenciar as respostas imunológicas do organismo.

A médica dermatologista Carolina Malavassi, da plataforma INKI, explica que a microbiota pode ser modificada ao longo da vida por diversos fatores, como alimentação, uso de medicamentos, infecções, doenças, estresse, sono inadequado e mudanças ambientais. Embora essas alterações possam, em teoria, favorecer um estado inflamatório ou diminuir a tolerância imunológica, Malavassi ressalta que ainda não é possível afirmar que uma mudança específica na microbiota seja, isoladamente, a causa de uma alergia que surge na vida adulta.

A maioria das evidências científicas disponíveis aponta para associações entre a microbiota e alergias, mas muitos estudos focam na infância. Portanto, a microbiota é considerada um dos fatores envolvidos, mas não o único responsável pelo aparecimento de alergias em adultos. Genética, exposição ambiental, condições da pele e mucosas, medicamentos e o tipo específico de alergia também são considerados importantes.

Dermatite de contato e exposições ocupacionais

Em ambientes de trabalho, substâncias como metais, conservantes, fragrâncias, resinas epóxi e acrílicas, borracha, luvas, cosméticos, produtos de limpeza, tinturas e outros químicos industriais, de saúde, construção civil e agricultura são causas frequentes de dermatite de contato alérgica. Fatores como umidade, calor, uso contínuo de luvas e a presença de inflamações ou fissuras na pele aumentam a vulnerabilidade.

O diagnóstico de dermatite alérgica ocupacional baseia-se na história clínica e na correlação entre os sintomas e as atividades laborais. O teste de contato é fundamental para identificar os componentes específicos que desencadeiam a reação. O tratamento vai além do uso de pomadas, sendo essencial a redução ou substituição da exposição ao alérgeno e a adoção de medidas de proteção adequadas, pois a dermatite pode se tornar crônica e impactar a capacidade de trabalho.

Diagnóstico e tratamento de alergias na maturidade

Gatilhos comuns para o desenvolvimento de alergias na fase adulta incluem frutos do mar, castanhas, amendoim e certos medicamentos, que podem levar a reações graves como a anafilaxia. A investigação correta para identificar esses alérgenos exige exames específicos, como o teste de puntura ou testes de contato.

A médica Fernanda América alerta que testar um grande número de substâncias sem uma hipótese clínica clara pode gerar resultados falsos positivos, levando a restrições alimentares ou de contato desnecessárias. Crises alérgicas não diagnosticadas podem comprometer significativamente a qualidade de vida, afetando o sono, a produtividade no trabalho e as interações sociais. A anafilaxia, a forma mais severa de reação alérgica, requer intervenção imediata com adrenalina intramuscular e atendimento médico de urgência.

Embora nem todas as alergias adquiridas na maturidade possam ser completamente revertidas, existem abordagens terapêuticas eficazes. A imunoterapia, também conhecida como vacina para alergia, e a evitação orientada do agente causador são estratégias que auxiliam no controle do quadro alérgico e na melhoria da qualidade de vida do paciente.

O que diz a pesquisa

Um estudo publicado na revista International Archives of Allergy and Immunology em 2020 investigou a composição da microbiota intestinal em adultos com rinite alérgica (RA). A pesquisa comparou a microbiota de 57 adultos com RA e 23 indivíduos saudáveis (controle).

Os resultados indicaram que os pacientes com RA apresentaram uma diversidade significativamente menor na microbiota intestinal em comparação com o grupo controle. Além disso, observou-se uma abundância maior de bactérias do filo Bacteroidetes e uma menor abundância do filo Firmicutes no grupo com RA. Também foram encontradas diferenças na abundância de gêneros específicos, com aumento de Parabacteroides e redução de Oxalobacter e Clostridiales nos portadores de RA.

A conclusão do estudo é que adultos com rinite alérgica possuem uma microbiota intestinal distinta, caracterizada por menor diversidade e alteração na abundância de táxons microbianos chave, em comparação com indivíduos sem a condição.

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