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Agentes de IA triplicam tráfego na web e desafiam internet para humanos

25 de outubro de 2026
Agentes de IA triplicam tráfego na web e desafiam internet para humanos

Destaques

  • •Agentes de IA, como Muse da Meta, triplicaram o tráfego na web e estão sendo bloqueados por muitos sites.
  • •A ascensão desses agentes levanta questões sobre o futuro da internet, que pode ser redesenhada para priorizar IA em detrimento de usuários humanos.
  • •O futuro da web dependerá das regras que definirão como agentes de IA interagem com sites e quais tarefas poderão realizar.

A internet, antes dividida entre bots e humanos, agora enfrenta uma nova categoria de visitantes: agentes pessoais de Inteligência Artificial (IA). Esses agentes, capazes de realizar tarefas online em nome de usuários, como reservar voos ou negociar preços, estão em ascensão. O lançamento de aplicativos como o Dots, da OpenAI, e o Muse, da Meta, impulsionou essa tendência. O Muse, por exemplo, foi baixado 5 milhões de vezes em seu primeiro mês, e o tráfego de agentes de IA na web triplicou entre agosto e setembro.

A convivência entre esses agentes e os usuários humanos tem sido problemática. Muitos sites estão bloqueando ativamente esses agentes, temendo que eles sobrecarreguem sistemas ou ameacem modelos de negócio. Empresas como Pizza Hut, Yelp e Amazon já implementaram restrições. A Amazon, inclusive, está em uma batalha judicial com a startup de IA Perplexity, argumentando que agentes de IA dificultam a distinção entre anúncios vistos por humanos e por bots, impactando seus negócios de publicidade.

A ascensão de uma terceira categoria de visitante

Agentes de IA representam uma nova forma de interação com a web. Eles não são humanos, operam na velocidade das máquinas, mas agem em nome de pessoas para realizar tarefas legítimas e úteis. Essa distinção os coloca em uma zona cinzenta, não se encaixando nos sistemas tradicionais de diferenciação entre bots e pessoas. Como resultado, algumas plataformas, especialmente as mais focadas em segurança, optaram por banir completamente esses agentes.

O professor Ethan Mollick, da Wharton School, prevê que essa situação afetará toda a web. Ele alerta que, quando se tornar comum que agentes de IA solicitem reembolsos ou negociem preços, eles poderão sobrecarregar departamentos de atendimento ao cliente, tornando-os inutilizáveis para pessoas reais. A irritação dos usuários humanos com essas restrições pode, paradoxalmente, impulsionar a aceitação dos agentes.

O futuro da internet: otimizada para IA ou para humanos?

Se a demanda por agentes pessoais continuar a crescer, as plataformas provavelmente encontrarão maneiras de integrá-los, especialmente em sites de comércio eletrônico, onde há potencial de receita. A Shopify já está adaptando seus canais de checkout para receber esses agentes diretamente. No entanto, a questão crucial é o que acontecerá com a experiência dos usuários humanos.

Existe o risco de a internet se tornar um ambiente menos agradável para pessoas reais, com interfaces piores e sistemas de verificação mais intrusivos. A personalização de preços para agentes e a dificuldade em distinguir recomendações genuínas de anúncios pagos são preocupações. Isso contrasta com a promessa de agentes de IA que dariam mais poder e capacidade de negociação aos consumidores, como na contestação de cobranças médicas ou na pesquisa de seguros mais acessíveis.

Regras em construção para a nova era digital

A forma como a internet evoluirá dependerá das regras que estão sendo estabelecidas para a interação entre agentes de IA e sites. Regras que garantam a segurança, como a proteção de informações de cartão de crédito, são vistas como positivas. No entanto, as regras mais controversas, como a permissão para empresas bloquearem agentes ou impedirem a negociação de ofertas, determinarão se a web se tornará uma ferramenta a favor ou contra os usuários humanos.

O que diz a pesquisa

Um estudo recente intitulado "Muse Glimmer 30B: An On-Device Agentic Model", publicado como preprint no arXiv em 2026, introduz o Muse Glimmer. Este é um modelo de linguagem causal de código aberto com 30 bilhões de parâmetros, projetado para tarefas de agentes autônomos em hardware de consumidor. Ele integra raciocínio multi-etapas, uso confiável de ferramentas e recuperação de falhas em um único modelo que roda localmente, sem infraestrutura de nuvem. O modelo aceita entradas de texto e imagem, produz saídas de texto, foi treinado em dados de mais de cem idiomas e é quantizado para precisão de 4 bits para inferência eficiente em uma única GPU.

O Muse Glimmer alcança desempenho de ponta em sua classe de tamanho em benchmarks de agentes, superando modelos como Gemma4-31B e Qwen3.6-27B em uso de ferramentas, planejamento multi-etapas e conclusão de tarefas agenticas. O modelo é liberado sob a licença Apache 2.0 para fomentar o desenvolvimento de agentes de IA locais, capazes e seguros.

Pesquisa citada

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