Açúcar atinge maior patamar desde dez/2024 com alta de 28,8% em outubro

Destaques
- •Preço internacional do açúcar sobe 28,8% em outubro, atingindo o maior patamar desde dezembro de 2024.
- •Chuvas no Centro-Sul do Brasil e incertezas na produção de Índia, UE e Tailândia impulsionam alta, contrastando com queda geral dos alimentos.
- •Acompanhar o impacto das condições climáticas e da produção global na safra futura e nos preços.
O preço internacional do açúcar registrou uma alta expressiva de 28,8% em outubro, comparado ao mesmo mês do ano anterior, e de 6,6% em relação a setembro. Este foi o quarto aumento mensal consecutivo, elevando o valor do produto para o maior patamar desde dezembro de 2024, de acordo com dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).
A valorização do açúcar contrasta com a tendência de queda nos preços globais dos alimentos, cujo índice geral da FAO recuou 1,2% em outubro, embora ainda permaneça 5,9% acima do registrado no ano anterior. A queda geral foi puxada principalmente pelos preços de cereais, laticínios e carnes, que mais do que compensaram a alta do açúcar e o leve aumento nos óleos vegetais.
Principal causa: chuvas e incertezas na produção
A principal força por trás da alta do açúcar foram as chuvas que prejudicaram a colheita e a moagem da cana-de-açúcar na região Centro-Sul do Brasil, principal polo produtor do país. A FAO destacou as "interrupções relacionadas às chuvas nas operações de colheita e moagem da cana-de-açúcar" como um fator chave.
Adicionalmente, preocupações com a produção de açúcar em outros importantes países produtores, como Índia, União Europeia e Tailândia, para a safra 2026/27, também contribuíram para a pressão de alta nos preços internacionais.
Queda em outros setores de alimentos
Em contrapartida, o índice geral de preços de alimentos da FAO fechou outubro em 133,9 pontos, uma queda de 1,2% em relação a setembro. A maior retração ocorreu nos preços dos cereais, com queda de 4,5%, influenciada pela demanda internacional mais fraca e melhores perspectivas de produção na Argentina, além da expectativa de redução de restrições no transporte pelo Mar Negro.
Os preços internacionais das carnes recuaram 1,2%, com quedas em carne suína, ovina e bovina. Os laticínios também registraram queda de 1,1%, pressionados pela oferta abundante e menor demanda por manteiga e queijo. Os óleos vegetais apresentaram leve alta de 0,3%, impulsionados pela demanda de biocombustíveis e redução de oferta de soja na América do Sul.
Próximos passos
Acompanhar os desdobramentos climáticos no Brasil e as projeções de safra para os principais países produtores será crucial para determinar a trajetória futura dos preços do açúcar. A volatilidade climática e as incertezas geopolíticas continuam sendo fatores determinantes no mercado global de commodities agrícolas.



