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Ações de gigantes do luxo europeu atingem mínimas de mais de uma década

24 de outubro de 2026
Ações de gigantes do luxo europeu atingem mínimas de mais de uma década

Destaques

  • •Hermès e LVMH reportam vendas decepcionantes, especialmente na China, impactando o setor.
  • •Valuations de empresas como Hermès e LVMH caem drasticamente, atingindo níveis não vistos há mais de dez anos.
  • •Investidores cautelosos com o setor de luxo europeu devido à desaceleração chinesa e instabilidade social na França.

As ações das maiores empresas de luxo da Europa atingiram os níveis mais baixos em mais de uma década, após resultados decepcionantes da Hermès International SCA e da LVMH Moët Hennessy Louis Vuitton, que frustraram as expectativas de uma rápida recuperação do setor. A demanda fraca na China, afetada por uma crise imobiliária, mercados financeiros instáveis e esforços para tributar a riqueza no exterior, tem sido um fator crucial para essa desaceleração.

As ações da Hermès estenderam sua queda nesta sexta-feira, um dia após a fabricante da bolsa Birkin divulgar vendas trimestrais abaixo do esperado, com destaque para a China. A valuation da empresa caiu para cerca de 27 vezes o lucro futuro, um recuo significativo em relação ao pico pós-pandemia de aproximadamente 70 vezes. Analistas do Berenberg rebaixaram a recomendação da ação para 'manutenção', citando preocupações com a exposição excessiva da empresa ao mercado chinês e a consumidores aspiracionais.

Desempenho fraco e valuation em queda

A LVMH, dona de marcas como Louis Vuitton e Dior, também reportou resultados mornos na semana passada, com queda nas vendas na China. Sua valuation despencou nos últimos meses, negociando agora a cerca de 16 vezes o lucro futuro, um patamar não visto em mais de uma década. As ações de ambas as empresas acumulam queda de cerca de 40% este ano, refletindo a não materialização da recuperação esperada para a indústria do luxo.

A Kering, controladora da Gucci, também contribuiu para o pessimismo ao anunciar resultados fracos na quinta-feira. A empresa informou que o consumo na China continua fraco e que as vendas da Gucci ficaram abaixo das estimativas. Como resultado, as ações da Kering despencaram até 12% na sexta-feira, a maior queda desde abril de 2025.

O que dizem os analistas

Segundo a analista do Bernstein, Maria Meita, as valuations atuais refletem tanto os resultados abaixo do esperado quanto um cenário macroeconômico mais fraco. Ela aponta que a LVMH depende de uma recuperação na China para impulsionar seu crescimento, enquanto os investidores da Hermès parecem ter perdido a confiança em seu modelo de negócios, que antes era considerado uma aposta segura em tempos de volatilidade devido às longas listas de espera por seus produtos.

A analista da Bloomberg Intelligence, Deborah Aitken, ressalta que a instabilidade social na França adiciona um risco adicional para empresas como a Hermès, com o risco de protestos planejados afetarem o tráfego nas lojas e o turismo.

Próximos passos

Apesar dos preços atrativos, os investidores demonstram cautela em relação ao setor de luxo europeu. A expectativa é de um 'inverno difícil' para o setor, com a recuperação dependendo de uma melhora significativa no cenário econômico chinês e da estabilização da situação social na França.

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