Ações de gigantes do luxo europeu atingem mínimas de mais de uma década

Destaques
- •Hermès e LVMH reportam vendas decepcionantes, especialmente na China, impactando o setor.
- •Valuations de empresas como Hermès e LVMH caem drasticamente, atingindo níveis não vistos há mais de dez anos.
- •Investidores cautelosos com o setor de luxo europeu devido à desaceleração chinesa e instabilidade social na França.
As ações das maiores empresas de luxo da Europa atingiram os níveis mais baixos em mais de uma década, após resultados decepcionantes da Hermès International SCA e da LVMH Moët Hennessy Louis Vuitton, que frustraram as expectativas de uma rápida recuperação do setor. A demanda fraca na China, afetada por uma crise imobiliária, mercados financeiros instáveis e esforços para tributar a riqueza no exterior, tem sido um fator crucial para essa desaceleração.
As ações da Hermès estenderam sua queda nesta sexta-feira, um dia após a fabricante da bolsa Birkin divulgar vendas trimestrais abaixo do esperado, com destaque para a China. A valuation da empresa caiu para cerca de 27 vezes o lucro futuro, um recuo significativo em relação ao pico pós-pandemia de aproximadamente 70 vezes. Analistas do Berenberg rebaixaram a recomendação da ação para 'manutenção', citando preocupações com a exposição excessiva da empresa ao mercado chinês e a consumidores aspiracionais.
Desempenho fraco e valuation em queda
A LVMH, dona de marcas como Louis Vuitton e Dior, também reportou resultados mornos na semana passada, com queda nas vendas na China. Sua valuation despencou nos últimos meses, negociando agora a cerca de 16 vezes o lucro futuro, um patamar não visto em mais de uma década. As ações de ambas as empresas acumulam queda de cerca de 40% este ano, refletindo a não materialização da recuperação esperada para a indústria do luxo.
A Kering, controladora da Gucci, também contribuiu para o pessimismo ao anunciar resultados fracos na quinta-feira. A empresa informou que o consumo na China continua fraco e que as vendas da Gucci ficaram abaixo das estimativas. Como resultado, as ações da Kering despencaram até 12% na sexta-feira, a maior queda desde abril de 2025.
O que dizem os analistas
Segundo a analista do Bernstein, Maria Meita, as valuations atuais refletem tanto os resultados abaixo do esperado quanto um cenário macroeconômico mais fraco. Ela aponta que a LVMH depende de uma recuperação na China para impulsionar seu crescimento, enquanto os investidores da Hermès parecem ter perdido a confiança em seu modelo de negócios, que antes era considerado uma aposta segura em tempos de volatilidade devido às longas listas de espera por seus produtos.
A analista da Bloomberg Intelligence, Deborah Aitken, ressalta que a instabilidade social na França adiciona um risco adicional para empresas como a Hermès, com o risco de protestos planejados afetarem o tráfego nas lojas e o turismo.
Próximos passos
Apesar dos preços atrativos, os investidores demonstram cautela em relação ao setor de luxo europeu. A expectativa é de um 'inverno difícil' para o setor, com a recuperação dependendo de uma melhora significativa no cenário econômico chinês e da estabilização da situação social na França.
Matérias originais
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