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Ações da Tenda (TEND3) despencam após balanço do 3º trimestre; bancos alertam para margens

05 de novembro de 2026
Ações da Tenda (TEND3) despencam após balanço do 3º trimestre; bancos alertam para margens

Destaques

  • •A construtora Tenda (TEND3) registrou a maior queda do Ibovespa após divulgar resultados do 3º trimestre que preocuparam grandes bancos.
  • •A deterioração das margens operacionais, o aperto no crédito imobiliário e o risco de inadimplência são os principais fatores de atenção.
  • •Analistas de bancos como Itaú BBA, Safra e BTG Pactual revisam projeções de lucro e alertam para a necessidade de a empresa recompor suas margens.

As ações da construtora Tenda (TEND3) lideraram as quedas do Ibovespa nesta quinta-feira (11), após a divulgação de seu balanço do terceiro trimestre. Grandes bancos como Itaú BBA, Safra e BTG Pactual acenderam alertas sobre a deterioração das margens operacionais, o impacto do crédito imobiliário mais restrito e o risco de aumento da inadimplência, fatores que preocupam o mercado e podem comprometer a recuperação da incorporadora.

O principal ponto de atenção é o endurecimento das condições de financiamento habitacional, especialmente as operações da Caixa Econômica Federal (CEF). Com critérios mais rigorosos, a Tenda passou a enfrentar um ambiente comercial mais desafiador. A própria companhia reduziu a participação do crédito pro soluto pós-entrega — parte do pagamento recebida após a entrega das unidades — de cerca de 10% para 7% do valor dos imóveis. Essa mudança, embora alinhada a uma política mais conservadora, impactou a rentabilidade, contribuindo para uma queda de 2,9 pontos percentuais na margem bruta das novas vendas, que atingiu 34,5%.

Pressão sobre margens e risco de revisão de lucros

A margem bruta ajustada na operação principal da Tenda recuou de 39,9% no segundo trimestre para 34,6% no terceiro, uma queda de 5,3 pontos percentuais. O Itaú BBA avalia que a companhia pode enfrentar revisões negativas nas estimativas de lucro para 2027. Uma redução na margem bruta dos empreendimentos em construção de 38,3% para aproximadamente 36% poderia levar a um corte de 10% a 15% nas projeções de lucro.

O Safra também considera provável uma revisão para baixo das estimativas, citando o impacto mais intenso do que o antecipado pela política de crédito pós-entrega. O banco também chama a atenção para o aumento das despesas comerciais com cancelamentos e um crescimento de 28% nas despesas gerais e administrativas em relação ao ano anterior. O BTG Pactual prevê que parte das pressões sobre margens e velocidade de vendas deve persistir, tornando a recuperação da companhia mais gradual, devido ao maior peso de projetos das faixas 1 e 2 do Minha Casa, Minha Vida, descontos comerciais e aumento de cancelamentos.

O JPMorgan avalia o trimestre como muito fraco, com lucro líquido recorrente de R$ 106 milhões, excluindo uma perda de R$ 49 milhões relacionada à marcação a mercado (mark-to-market) de sua operação de troca de ações (share swap). O resultado ficou 30% abaixo da estimativa do JPMorgan e 40% abaixo do consenso do mercado, refletindo margens brutas inferiores ao esperado.

Carteira de recebíveis e comunicação sob escrutínio

Outra preocupação levantada pelo Safra é a qualidade da carteira de crédito. A Tenda possui cerca de R$ 2,3 bilhões em créditos pós-entrega, equivalentes a 36% do total de recebíveis brutos. O aumento do endividamento das famílias e uma eventual deterioração da qualidade do crédito podem exigir provisões adicionais, pressionando os resultados futuros. A redução do crédito direto aos clientes, embora vise limitar a exposição ao risco de inadimplência, pode dificultar vendas e reduzir margens.

O desempenho da Alea, operação de casas industrializadas da Tenda, também é um ponto de atenção, com margem bruta ajustada de apenas 5,5% no trimestre. Além disso, o BTG Pactual aponta que a comunicação pouco clara da Tenda sobre as dificuldades enfrentadas tem prejudicado a confiança dos investidores, que buscam entender por quanto tempo as condições adversas devem persistir e quais medidas permitirão a recomposição das margens.

A XP Investimentos classifica os resultados como fracos, principalmente devido às margens brutas mais baixas. Embora parte da pressão deva se dissipar com os descontos legados do Rio de Janeiro e os distratos relacionados à greve, e a administração já indique melhora nos repasses, preços e margens de vendas, o guidance mantido para 2026 ainda implica lucro líquido ex-swap de R$180 milhões a R$ 240 milhões no 4T26, ante R$106,5 milhões no 3T26, o que a corretora considera desafiador.

O Goldman Sachs destaca que a receita ficou acima do esperado, mas os custos ao longo da operação pressionaram as margens de lucro bruto e levaram a um resultado líquido abaixo das estimativas. O Bradesco BBI destaca os riscos de baixa para as estimativas de 2027 devido à compressão de margens e desaceleração nas vendas. A estratégia de reduzir o pro-soluto pós-entrega, embora prudente do ponto de vista de crédito, restringe o mercado endereçável e deve manter a pressão sobre os papéis da construtora no curto prazo.

Recomendações e preços-alvo dos analistas

Apesar das ressalvas, a maioria dos bancos mantém uma avaliação positiva sobre o preço das ações. Itaú BBA e Safra preservam recomendação de compra. O Itaú BBA tem o maior preço-alvo, de R$ 58, com potencial de alta de 193,7%. O Safra projeta R$ 46 (potencial de 132,9%), e o BTG Pactual estabelece R$ 45 (potencial de 127,8%).

O JPMorgan manteve recomendação de compra e preço-alvo de R$ 52,50. O Goldman Sachs e o Itaú BBA reiteraram recomendação de compra e preço-alvo de R$ 29 e R$ 58, respectivamente.

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