Falha em sistema de segurança causou colisão de trens na Espanha com 74 mortos

Destaques
- •Falha no sistema de controle LZB levou a instruções de retomada de marcha em velocidade inadequada.
- •O acidente resultou em 74 mortos e dezenas de feridos, com a investigação apontando para falha humana e de sistema.
- •A circulação ferroviária na linha afetada foi suspensa, e o governo espanhol ordenou investigação completa.
Um grave acidente ferroviário na província de Toledo, Espanha, na quarta-feira (28/10), resultou na morte de pelo menos 74 pessoas e deixou dezenas de feridos. A colisão ocorreu quando um trem AVE da estatal Renfe atingiu a traseira de um trem da Iryo pouco antes das nove horas da manhã, hora local. Ambos os trens viajavam de Madri para Sevilha.
As gravações de áudio entre o centro de controle de trens de Atocha e os maquinistas envolvidos indicam que uma falha nos computadores afetou a operação dos trens na região de Urda, a cerca de 140 km ao sul de Madri. O sistema de navegação LZB (Sistema de Controle Contínuo), responsável por supervisionar a velocidade e a posição do trem em tempo real, falhou, detendo ambos os comboios.
Instruções de retomada de marcha e falha de comunicação
Ao assumir a gestão da situação, os operadores de Atocha discutiram como proceder para que os trens ultrapassassem a área afetada. Para o maquinista do trem AVE 2080, a instrução foi clara: "Desconecte e volte a conectar o LZB e retome a marcha com ajuda do [sistema de regulagem] BSL, com velocidade normal". O BSL (Bloqueio de Sinalização Lateral) é um sistema de apoio que controla a separação segura entre os trens.
Paralelamente, a maquinista do trem Iryo 6076, que trafegava à frente do AVE, informou ao centro de controle que não conseguia reiniciar a marcha devido a uma falha de transmissão. Ela também recebeu a instrução de desconectar e reconectar o LZB e retomar a marcha com o BSL, em velocidade normal.
No entanto, em uma comunicação posterior, a maquinista do Iryo alertou que não conseguiu avançar. O controlador de Atocha limitou-se a instruí-la a avançar "o quanto puder". Às 8h48, a distância entre os dois trens era de aproximadamente 30 km, uma margem considerada muito pequena caso o trem AVE atingisse sua velocidade máxima autorizada de 200 km/h na região.
Velocidade de segurança desrespeitada e investigação
Cinco minutos após a última comunicação, ocorreu a colisão. As comunicações sugerem que o trem AVE 2080 recebeu autorização para avançar mesmo com o trem Iryo 6076 ainda apresentando problemas para se reconectar ao sistema de navegação LZB. O ministro dos Transportes, Óscar Puente, qualificou o ocorrido como um incidente "inexplicável" e declarou que "a decisão de retomar o tráfego, sem o restabelecimento do sistema de segurança, é do centro de controle".
De acordo com os protocolos de segurança, diante da falha do sistema LZB, que gerencia altas velocidades, seria necessário adotar uma velocidade de segurança máxima de 40 km/h. Essa velocidade permite ao maquinista observar visualmente obstáculos e ter tempo para evitá-los. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, ordenou uma investigação completa do acidente para apurar as causas e responsabilidades.
A circulação ferroviária entre Madri, Ciudad Real e a Andaluzia foi suspensa após o episódio. A Unidade Militar de Emergência da Espanha realizou buscas nos destroços, revirando o entulho causado pelo acidente. Equipes de resgate continuaram os trabalhos na região, e um posto de comando avançado foi montado próximo ao local. A Cruz Vermelha montou um abrigo em Urda para prestar assistência aos feridos e fornecer suprimentos.
Matérias originais
- 'Recomece com velocidade normal': o que dizem as gravações do controle dos trens que se chocaram na Espanha · bbc.com
- 'Não há palavras pra descrever a dor': a mobilização de um vilarejo para ajudar vítimas de acidente de trem na Espanha · bbc.com
- Vídeo: Militares fazem buscas após colisão de trens na Espanha · cnnbrasil.com.br



