Abraji denuncia advogado por assédio judicial contra jornalistas

Destaques
- •Advogado investigado pela PF é acusado de usar processos para intimidar e silenciar jornalistas.
- •Pelo menos 13 ações judiciais foram movidas contra reportagens na última década, com 4 apenas em 2026.
- •Abraji cobra providências das autoridades para coibir o uso abusivo da justiça.
A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) divulgou nota na quinta-feira (22.out.2026) denunciando o advogado Willer Tomaz, investigado pela Polícia Federal por suspeita de corrupção e lavagem de dinheiro, por praticar “intimidação e assédio judicial” contra jornalistas. Segundo a entidade, Tomaz utiliza o sistema de justiça de forma abusiva para tentar silenciar o trabalho de repórteres e impedir o acesso da sociedade à informação.
A Abraji relatou que, somente em 2026, foram abertos ao menos 4 processos contra jornalistas, incluindo ações criminais e pedidos de censura com indenização por danos morais. Ao longo da última década, o levantamento da associação identificou pelo menos 13 processos judiciais movidos em nome do advogado contra a publicação de reportagens. Em muitos casos, Tomaz desistiu das ações após decisões desfavoráveis ou pouco tempo depois de iniciá-las, o que, para a Abraji, pode indicar uma tentativa de constrangimento, mesmo sem avanço processual.
Estratégias de assédio judicial
A entidade detalhou algumas das táticas empregadas por Willer Tomaz, que incluem o acionamento da Justiça para pedir a retirada de conteúdos, notificações extrajudiciais e até mesmo ameaças diretas antes da publicação de reportagens. Em um dos casos citados, o jornalista Demétrio Vecchioli e o portal Metrópoles foram alvo de um processo pedindo a retirada de uma reportagem sobre a relação de Tomaz com a empresa Riopag. A ação tramita em segredo de Justiça no Espírito Santo, estado onde Tomaz afirma residir, apesar de o jornalista e o veículo estarem vinculados a Brasília.
Outro exemplo envolveu os jornalistas Paulo Motoryn e Alice Maciel, que receberam uma notificação extrajudicial solicitando a remoção de uma reportagem sobre empresas comandadas por Tomaz no ICL Notícias. A matéria permaneceu publicada, e o veículo não foi notificado de nenhum processo judicial posterior. Em relação à revista piauí, Tomaz classificou como “desinformação” suspeitas presentes em documentos da Polícia Federal usados em uma reportagem sobre empresas offshore em seu nome, anunciando novas ações judiciais.
Liberdade de imprensa e próximos passos
A Abraji reconhece o direito de recorrer à Justiça para corrigir informações, mas ressalta que o uso abusivo de processos pode comprometer a liberdade de imprensa e o direito da sociedade à informação. A associação considera que tais práticas violam a proteção da liberdade de imprensa no país e buscam silenciar o mensageiro em vez de corrigir ou reparar informações.
A entidade se solidariza com os jornalistas e veículos afetados e cobra das autoridades competentes uma atuação célere para identificar e coibir o abuso judicial. Desde 2021, a Abraji mantém um Programa de Proteção Legal para Jornalistas, oferecendo assistência jurídica a profissionais que sofrem silenciamento ou constrangimento por meio de processos judiciais. Jornalistas que se enquadram nos requisitos podem buscar apoio através do formulário ou do e-mail programadeprotecao@abraji.org.br.
Matérias originais
- Abraji critica “intimidação e assédio judicial” de Willer Tomaz · poder360.com.br



