A Pauta Animal: Da Esquerda ao Bolsonarismo, Quem Ganha com a Exploração?

Destaques
- •A exploração animal sob o capitalismo é vista como reflexo da lógica de produção e descarte.
- •Direita conservadora se apropria da causa animal com apelo eleitoral, focando em punitivismo penal, mas vota a favor do agronegócio.
- •Proposta de um sistema único de saúde animal e combate ao mercado clandestino, com inclusão social de carroceiros.
Para grande parte da esquerda institucional, a defesa animal ainda soa como pauta de nicho. Mas a forma como uma sociedade trata os animais é reflexo da lógica que aplica a tudo o que produz e descarta.
Sob o capitalismo, animais são insumos, uma mercadoria viva. O Instituto Pet Brasil estima que 4,8 milhões de cães e gatos viviam em vulnerabilidade em 2024, resultado de um mercado que lucra com a reprodução descontrolada e o descarte.
Enquanto a esquerda tratou o assunto como menor, a direita conservadora soube ocupá-lo eleitoralmente, com a chamada bancada pet crescendo no Congresso.
Essa direita "animalista" associa a causa à "família tradicional" e foca no punitivismo contra maus-tratos, mas, nos bastidores, apoia a flexibilização ambiental e o agronegócio.
A resposta não pode ser só repressiva. Defende-se a criação de um sistema único de saúde animal, com financiamento tripartite e marco legal nacional, nos moldes do SUS.
A proposta inclui a reestruturação de hospitais veterinários públicos, interiorização do atendimento e combate ao mercado clandestino, com proibição da reprodução caseira e erradicação da tração animal urbana, garantindo inclusão social dos carroceiros.
Também se propõe valorizar a categoria da Medicina Veterinária, com piso salarial e jornada de 30 horas semanais, além de regulação rigorosa para cursos privados e proteção a fiscais agropecuários.
A causa animal, encarada com seriedade, é parte da luta de classes, contra a mercantilização da vida e por um Estado que trate a saúde como direito. ✊



