YouTube alerta criadores brasileiros sobre novas regras para conteúdo infantil

Destaques
- •YouTube notifica criadores de conteúdo infantil no Brasil sobre exigência de autorização judicial para monetização.
- •A medida atende ao ECA Digital, que proíbe monetização de imagens de crianças e adolescentes sem aprovação da Justiça.
- •Canais que não exibem crianças regularmente não precisam de ação, mas a não conformidade pode gerar sanções.
O YouTube começou a alertar criadores de canais no Brasil sobre novas e rigorosas regras para a monetização de vídeos que envolvem crianças e adolescentes. O comunicado, enviado por e-mail, visa adequar os criadores à legislação brasileira, especialmente após a entrada em vigor do ECA Digital e sua regulamentação pelo Decreto Presidencial nº 12.880.
A principal mudança estabelecida pelo artigo 34 do decreto é clara: qualquer conteúdo monetizado que explore, de forma habitual, a imagem ou a rotina de uma criança ou adolescente requer autorização judicial regularmente emitida. Isso significa que influenciadores mirins, para continuar atuando e tendo seus conteúdos monetizados, precisam obter aprovação da Justiça, além de cumprir outros pré-requisitos legais.
O que diz o ECA Digital?
O ECA Digital, aprovado em março, tem como objetivo principal proteger crianças e adolescentes, evitando seu contato com conteúdos ou mecânicas inadequadas. A legislação reforça a necessidade de fiscalização e readequação constante por parte das plataformas digitais. A exigência de autorização judicial para a exploração comercial da imagem de menores é um dos pontos centrais para garantir essa proteção.
Para facilitar o processo de obtenção dessa autorização judicial e a consequente monetização de conteúdo para menores de idade, o YouTube sugere duas vias principais aos criadores:
- Entrar em contato com a Vara da Infância mais próxima.
- Consultar um(a) advogado(a) de confiança, com especialização em legislação trabalhista e direitos digitais.
O que acontece se o canal não tiver foco em crianças?
O YouTube esclarece que, se o conteúdo de um perfil não apresentar regularmente uma criança ou um adolescente, nenhuma ação adicional será necessária. No entanto, a plataforma alerta que a violação da lei pode resultar em sanções previstas tanto na legislação brasileira quanto nas próprias políticas do YouTube, o que pode incluir a suspensão ou remoção de conteúdo e a perda de monetização.
Impacto geral do ECA Digital nas plataformas
A entrada em vigor do ECA Digital já tem provocado diversas alterações em plataformas digitais e serviços acessíveis por menores. Ferramentas como Instagram, TikTok e Roblox têm removido conteúdos em massa e publicado relatórios de transparência. O governo também intensificou o monitoramento de sites de conteúdo adulto e investiga filtros de acesso em chatbots.
Alguns tópicos, como a aferição de idade obrigatória, ainda estão em fase de implementação, enquanto outros, como a compra de lootboxes por menores, foram imediatamente suspensos em diversos jogos. A exigência de autorização judicial para monetização de conteúdo infantil é mais um passo na regulamentação do ambiente digital para proteger os jovens.
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