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Yanomamis cobram proteção e água potável; Funai prevê R$ 37,3 milhões para recuperação

27 de outubro de 2026
Yanomamis cobram proteção e água potável; Funai prevê R$ 37,3 milhões para recuperação

Destaques

  • •Lideranças indígenas Yanomami demandam proteção e acesso à água potável em audiência no Senado.
  • •Funai anuncia plano de R$ 37,3 milhões para recuperar áreas degradadas pelo garimpo nos próximos cinco anos.
  • •Senado busca dados e informações para apoiar medidas de proteção e recuperação ambiental na região.

Lideranças indígenas Yanomami cobraram nesta terça-feira (27) maior proteção às comunidades, ampliação do acesso à água potável e a continuidade das políticas públicas. As demandas foram apresentadas durante audiência da Subcomissão Permanente dos Povos Indígenas Yanomami, ligada à Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado. A presidente da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Lúcia Alberta Baré, detalhou metas para a recuperação de áreas degradadas pelo garimpo, com previsão de investimentos de R$ 37,3 milhões nos próximos cinco anos.

Recuperação ambiental e desafios do garimpo

Lúcia Baré apresentou dados sobre o impacto do garimpo na região, que entre 2016 e 2024 degradou 63,66 quilômetros quadrados de florestas e cursos d’água. O impacto atingiu cerca de 63,1% das comunidades Yanomami, o que equivale a 256 de 406 comunidades estudadas. O plano de recuperação prevê intervenções em 356,7 hectares nos próximos cinco anos, com a meta de recuperar até 1.057,8 hectares em dez anos.

O diretor da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro, Edson Baré, defendeu o fortalecimento de parcerias institucionais e o diálogo entre órgãos e prefeituras para garantir a continuidade de projetos. Ele reconheceu avanços em áreas como educação, mas alertou para a necessidade de ampliar o acesso à água potável e os efeitos do garimpo sobre os recursos naturais, como a poluição de rios por mercúrio e o desaparecimento de caças e peixes.

O presidente da Urihi Associação Yanomami, Waihiri Hekurari Yanomami, pediu proteção às comunidades, especialmente crianças e mulheres, e maior diálogo com os órgãos governamentais. Ele destacou a importância do apoio do Congresso Nacional para garantir segurança alimentar e ações de saúde nas comunidades.

Ações do governo e próximos passos

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), presidente da subcomissão e da CDH, afirmou que o colegiado observa avanços e que um grupo de trabalho está reunindo dados e informações. Ela anunciou que o grupo fará um levantamento dos investimentos destinados à recuperação ambiental e que haverá uma audiência pública em São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, para ouvir autoridades locais.

A coordenadora-geral do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Mônica Alves Silva, apresentou ações voltadas à proteção da vida e saúde, combate ao garimpo ilegal e atendimento a comunidades em emergência. Entre elas, a contratação de 25 educadores sociais indígenas Yanomami e a emissão de 204 certificados em oficinas temáticas.

A Funai estabeleceu parceria com a Universidade de Brasília (UnB) para desenvolver ações de recuperação ambiental com foco na interculturalidade e diálogo com os povos indígenas. O Plano de Recuperação Ambiental Yanomami Ye'kwana foi elaborado com a participação de lideranças e pajés, diagnosticando áreas degradadas e os problemas decorrentes, como a poluição por mercúrio e a insegurança alimentar. A recuperação total das áreas degradadas está prevista para ocorrer em dez anos.

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