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XP Investimentos rebaixa recomendação da Bolsa brasileira para neutra

03 de novembro de 2026
XP Investimentos rebaixa recomendação da Bolsa brasileira para neutra

Destaques

  • •XP Investimentos muda recomendação de compra para neutra na Bolsa brasileira após forte correção em outubro.
  • •Apesar de preços atrativos, cenário macroeconômico desafiador com juros altos e inflação em aceleração justifica cautela.
  • •XP mantém foco em empresas de alta qualidade e balanços sólidos, com carteiras recomendadas ajustadas para novembro.

A XP Investimentos rebaixou sua recomendação para a Bolsa brasileira de compra para neutra, após a forte correção observada em outubro. Apesar de os preços terem ficado mais atrativos, a corretora argumenta que o mercado enfrenta um cenário macroeconômico mais desafiador, marcado por juros elevados, inflação em aceleração e riscos para os lucros das empresas em 2027. O relatório Raio-XP de novembro de 2026 indica um valor justo para o Ibovespa de 200 mil pontos ao fim de 2027, com potencial de valorização de cerca de 19%, mas esse retorno já não é significativamente superior ao oferecido pela renda fixa doméstica, justificando uma postura mais cautelosa.

Cenário desafiador para a Bolsa

A Bolsa brasileira vivenciou um dos meses mais turbulentos dos últimos anos em outubro. Após um rali expressivo logo após o primeiro turno das eleições, o mercado devolveu os ganhos após o segundo turno. Em 26 de outubro, o índice caiu 13,9%, registrando o terceiro pior pregão desde 2000. No fechamento do mês, o Ibovespa acumulou queda de 10% em reais e de 14,2% em dólares.

Três fatores justificam a cautela da XP: a volta das preocupações fiscais, que provocaram forte deterioração dos ativos domésticos; a perspectiva de um regime de inflação e juros em alta, ambiente historicamente adverso para a renda variável brasileira; e o risco de desaceleração econômica em 2027, que pode levar a revisões negativas das estimativas de lucro das companhias.

Múltiplos e setores em destaque

O índice negocia atualmente a 8,2 vezes lucro projetado, abaixo da média histórica de 10 vezes, enquanto o prêmio de risco subiu para 4,5%. Contudo, a XP entende que os múltiplos ainda não atingiram os níveis mais descontados observados em momentos de estresse anteriores. Entre os poucos destaques positivos de outubro estiveram as exportadoras: o setor de papel e celulose avançou 6,9%, impulsionado pela Suzano (SUZB3), enquanto óleo e gás ganhou 4%, beneficiado pela alta do petróleo e pela valorização de Petrobras (PETR3; PETR4) e PRIO (PRIO3).

Já entre as maiores quedas apareceram educação (-27,5%), transportes (-24,1%) e bancos (-18,2%), segmentos mais sensíveis à piora das condições financeiras. O pessimismo do mercado aumentou substancialmente, com o Índice de Sentimento XP recuando para 18 pontos em uma escala de 0 a 100, patamar considerado pessimista, mas ainda não associado a sinais claros de compra.

Ajustes nas carteiras recomendadas

Diante desse cenário, a XP afirma continuar privilegiando empresas de alta qualidade, balanços sólidos, baixa alavancagem e boa geração de caixa. Entre os nomes apontados como oportunidades após a correção estão Sabesp (SBSP3), Rede D’Or (RDOR3), TOTVS (TOTS3), Itaú Unibanco (ITUB4), Cury (CURY3), WEG (WEGE3), Embraer (EMBJ3) e Petrobras (PETR4).

A equipe de estratégia também promoveu mudanças em suas carteiras recomendadas para novembro. Na Top Ações, entraram WEG (WEGE3), JBS (BDR: JBSS32) e Caixa Seguridade (CXSE3), enquanto BTG Pactual (BPAC11) e Nubank (BDR: ROXO34) foram retiradas. Na carteira de dividendos, a XP elevou a participação de Caixa Seguridade (CXSE3) e reduziu a exposição à B3 (B3SA3). Já na carteira de small caps, passaram a integrar a seleção São Martinho (SMTO3) e Vitru (VTRU3), substituindo nomes como Cogna (COGN3), Viva (VIVA3) e LWSA (LWSA3).

O BB Investimentos também realizou ajustes em sua carteira recomendada para novembro, retirando BTG Pactual (BPAC11) e Tenda (TEND3) para a entrada de Caixa Seguridade (CXSE3) e WEG (WEGE3). A troca de BTG por Caixa Seguridade busca elevar o caráter defensivo da carteira, dada a resiliência de resultados da última. No caso da WEG, os analistas veem dinâmicas positivas a longo prazo. A saída de Tenda se deu pela elevada sensibilidade do setor imobiliário ao cenário de juros doméstico.

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