Viajante relata diagnóstico de malária após travessia perigosa pela selva de Darién
Destaques
- •Relato pessoal detalha a infecção por malária após uma viagem de moto do Brasil a Cuba, incluindo a travessia da selva de Darién.
- •A dificuldade em diagnosticar a doença fora de áreas endêmicas e o tratamento com medicamentos específicos são pontos centrais.
- •A matéria destaca a persistência da malária globalmente e a falta de vacinas eficazes, mesmo após mais de uma década do ocorrido.
O relato de Ary Neto narra uma perigosa viagem de moto iniciada em Foz do Iguaçu com destino a Cuba, que culminou em um diagnóstico de malária após uma travessia pela selva de Darién, entre Colômbia e Panamá. O preparo inicial incluía a vacina contra febre amarela, mas não previu os riscos da região de selva densa.
A expedição enfrentou imprevistos ao tentar cruzar da Colômbia para o Panamá, optando por uma rota marítima que os levou a uma ilha onde foram convencidos por guias indígenas a seguir por terra. A intenção era atravessar a selva com as motos, mas a impossibilidade de avançar com os veículos levou ao abandono deles. Os guias acabaram por abandonar o grupo, deixando-os à mercê da mata.
A infecção pela malária
Durante a caminhada pela margem de um rio, Ary Neto foi picado por um mosquito, identificado como uma fêmea de Anopheles. A picada transmitiu o parasita da malária, que se instalou no fígado do viajante. Dias depois, já em Havana, os sintomas começaram a se manifestar, com febre e suores intensos, que se repetiam em ciclos de 48 horas, indicando a replicação do parasita no organismo.
O viajante buscou atendimento médico em Cuba, onde suspeitaram de hepatite devido ao inchaço do fígado. As crises de malária continuaram, inclusive durante o voo de volta ao Brasil, causando calafrios e desconforto extremo, levando alguns passageiros a crer que ele estivesse desorientado.
Diagnóstico e tratamento no Brasil
Ao retornar a São Paulo, a melhora inicial foi enganosa. Internado em um hospital do bairro, o diagnóstico permaneceu incerto, com suspeitas de leptospirose, febre amarela, dengue ou malária. Uma nova piora o levou à Santa Casa de Santo André, onde uma crise severa, com febre de 42 graus, assustou a equipe médica.
O diagnóstico de malária, especialmente fora de áreas endêmicas, mostrou-se um desafio para os profissionais de saúde. Uma infectologista, após coletar sangue da orelha do paciente para análise especializada no Hospital das Clínicas, confirmou a infecção pelo tipo Vivax. O tratamento envolveu a administração de dez comprimidos, com a dose diminuindo gradualmente.
Recuperação e lições aprendidas
Após a alta hospitalar, Ary Neto passou por acompanhamento médico por seis meses para garantir a erradicação completa do parasita. Mais de dez anos após o ocorrido, ele ressalta a persistência da malária como um problema de saúde global, com mais de meio milhão de mortes anuais e a ausência de vacinas eficazes e acessíveis.
A experiência transformou sua relação com ambientes naturais, levando-o a usar repelente constantemente. A travessia pela selva de Darién, que quase lhe custou a vida, foi posteriormente transformada em um livro, "Expresso Havana", fruto dessa marcante e perigosa jornada.
Matérias originais
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