Vazamento no Smart Sampa expõe mais de 58 mil câmeras de segurança de SP

Destaques
- •Sistema de videomonitoramento da Prefeitura de São Paulo, Smart Sampa, teve dados expostos por 11 meses.
- •Mais de 58 mil câmeras, incluindo as de UBS, escolas e hospitais, tiveram imagens acessíveis.
- •Prefeitura nega falha de segurança e atribui vazamento a servidor afastado; reforços de segurança foram implementados.
O sistema de videomonitoramento Smart Sampa, da Prefeitura de São Paulo, sofreu um vazamento de dados que expôs informações sigilosas por aproximadamente 11 meses. O incidente permitiu o acesso indevido a imagens de mais de 58 mil câmeras instaladas em diversas unidades públicas da capital paulista, incluindo ruas, escolas, creches e hospitais.
A exposição das informações ocorreu em um repositório público na internet, onde estavam disponíveis logins e senhas de usuários autorizados, dados de mais de 6 mil agentes de segurança e instruções para reproduzir a interface do sistema. A plataforma, lançada em 2024 como uma das principais apostas da gestão Ricardo Nunes (MDB) para segurança pública, utiliza inteligência artificial para reconhecimento facial e de placas de veículos.
O que foi exposto e como?
Segundo reportagem do portal UOL, o vazamento incluiu imagens em tempo real de câmeras em Unidades Básicas de Saúde (UBS), escolas municipais de educação infantil e fundamental, Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e hospitais. Foram listadas 1.157 câmeras em UBS, 427 em escolas infantis, 396 em escolas de ensino fundamental, 118 em Caps, 80 em hospitais e 68 em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs).
O repositório continha 181 logins e senhas de usuários autorizados e dados de mais de 6 mil agentes de segurança. Uma brecha de segurança também permitiria inserir dados indevidamente no sistema, pois algumas interfaces não verificavam adequadamente a identidade de quem enviava as informações. Os logins expostos davam acesso direto à plataforma da empresa SentinelX, uma das responsáveis pela manutenção do Smart Sampa, sem autenticação adicional.
A plataforma, que opera com um investimento mensal de cerca de R$ 10 milhões, não possuía autenticação em dois fatores (2FA) no momento da exposição. Especialistas ouvidos pelo UOL classificaram o incidente como uma falha gravíssima em termos de privacidade e segurança nacional, alertando para o risco de uso criminoso das informações sobre a localização de autoridades e equipamentos de defesa.
Posicionamento da Prefeitura e próximos passos
A Prefeitura de São Paulo confirmou o vazamento, mas negou a existência de falhas de segurança na plataforma. A gestão municipal atribui o episódio a um servidor concursado da Guarda Civil Metropolitana, que já foi identificado, afastado e está sob investigação pela Corregedoria da Guarda Civil Metropolitana. Segundo o prefeito Ricardo Nunes, a fragilidade seria uma espécie de "isca" para monitorar acessos irregulares, e a prefeitura já tinha conhecimento da situação.
A administração municipal afirmou que o repositório de dados foi retirado do ar e que reforçou os mecanismos de proteção do Smart Sampa, implementando senhas exclusivas e autenticação em dois fatores, além de códigos enviados por SMS para criação de novas senhas. A prefeitura também garante que não houve uso indevido do sistema e que o programa conta com fiscalização do Tribunal de Contas do Município e relatórios de transparência ao Ministério Público.
O Smart Sampa é operado pelo consórcio Smart City, que inclui empresas como CLD, Flama Serviços, PK9 e SentinelX. A Prefeitura de São Paulo não tem acesso ao código-fonte nem aos modelos de inteligência artificial, que ficam sob controle da SentinelX. A entrada da SentinelX no consórcio ocorreu em dezembro de 2025, substituindo a Camerite.
Matérias originais
- Smart Sampa: dados sigilosos vazados estavam sem segurança básica · convergenciadigital.com.br
- Dados de mais de 58 mil câmeras da Smart Sampa vazam; prefeitura de SP acusa servidor e nega falha no sistema · convergenciadigital.com.br
- Smart Sampa: entenda o que vazou e quem são as empresas que operam o sistema de câmeras de SP · estadao.com.br
- Smart Sampa não tinha autenticação em dois fatores; sistema teve falha que permitia acesso indevido · estadao.com.br
- Falha no Smart Sampa deixa 58 mil câmeras de vigilância acessíveis por 11 meses · itforum.com.br



