Varejo brasileiro enfrenta trimestre difícil com consumo em baixa e incerteza
Destaques
- •Economistas preveem continuidade da pressão sobre o consumo no terceiro trimestre e para 2027.
- •Empresas de vestuário como C&A, Renner e Azzas devem apresentar resultados fracos, com queda de receita e margem.
- •Investidores aguardam resultados mais fracos e revisões negativas para o próximo trimestre e 2027.
O cenário para o varejo no Brasil não apresenta sinais animadores para o terceiro trimestre. Economistas preveem que as pressões sobre o consumo continuarão a impactar os resultados, com um horizonte macroeconômico incerto que pode estender esse clima negativo até 2027.
A XP Investimentos aponta que orçamentos domésticos mais apertados continuam a restringir o consumo, levando a uma deterioração nos gastos discricionários. A casa estima que cerca de 53% das empresas do setor de vestuário sob sua cobertura deverão apresentar contração da margem bruta.
Para o Itaú BBA, o terceiro trimestre deverá trazer resultados difíceis, com poucos motivos para otimismo. Os analistas indicam que os investidores já esperam resultados mais fracos de maneira generalizada, especialmente em receita líquida, com riscos concretos de revisões negativas para o próximo trimestre e para 2027.
Impacto no Varejo de Vestuário
O cenário macroeconômico, com juros reais elevados e percepção de risco, já pressiona as ações de varejo e consumo, setores altamente sensíveis a essas variáveis. O Bradesco BBI destaca que a incerteza sobre inflação e a taxa de juros leva alguns economistas a reduzir projeções de PIB para 2027, aumentando a aversão ao risco.
No setor de vestuário, as perspectivas são desafiadoras. A C&A (CEAB3) deve apresentar desaceleração na receita líquida, impactada por reformas em 18 lojas (cerca de 5% da base total), que historicamente causam perda de 10% a 15% nas vendas. O Goldman Sachs estima um impacto negativo de 50 a 100 pontos-base no crescimento anual de vendas, com receita líquida projetada em torno de R$ 1,8 bilhão.
A Lojas Renner (LREN3) pode ser a única varejista de vestuário a registrar vendas nas mesmas lojas (SSS) negativas, com queda prevista de 0,5%. Segundo o Itaú BBA, isso aumenta o risco de a companhia não atingir sua projeção de crescimento de receita, com possibilidade de revisões negativas após a divulgação dos resultados.
A Azzas (AZZA3) também deve enfrentar mais um trimestre fraco, embora com contração de receita líquida menos intensa que no segundo trimestre. A XP Investimentos prevê que a disciplina na gestão de vendas e estoques mais ajustados impulsionem a margem bruta, mas o Ebitda deve recuar 16,9% ao ano, para R$ 396 milhões. As vendas líquidas consolidadas devem cair quase 6%.
Expectativas para o Futuro
Os analistas do Itaú BBA ressaltam que o cenário macroeconômico adiciona uma camada de incerteza para os resultados de 2027. Sem clareza sobre a inflação ou os rumos da taxa de juros, o banco observa que alguns economistas já estão reduzindo as projeções de PIB, aumentando a aversão ao risco.
Os investidores já antecipam resultados mais fracos de forma generalizada, com especial atenção à receita líquida. Há riscos concretos de revisões negativas para o próximo trimestre e para 2027, refletindo a cautela com o ambiente econômico.



