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Valora Investimentos usa IA para analisar 10 anos de dados de fundos

24 de outubro de 2026
Valora Investimentos usa IA para analisar 10 anos de dados de fundos

Destaques

  • •Gestora Valora Investimentos implementa IA para analisar até uma década de dados de fundos, expandindo a capacidade de monitoramento de risco.
  • •A tecnologia permite examinar séries históricas mais extensas, identificando desvios de inadimplência e comportamento de fundos de forma mais precisa.
  • •A Valora planeja continuar a expansão em setores como agro e infraestrutura, utilizando IA para aprimorar o acompanhamento de investimentos de longo prazo.

A gestora Valora Investimentos está utilizando inteligência artificial (IA) para analisar até 10 anos de dados históricos de fundos, ampliando significativamente a capacidade de monitoramento de risco e inadimplência. A tecnologia permite que a equipe examine séries temporais mais extensas, identificando padrões e desvios de comportamento de fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs) e outros ativos estruturados.

Daniel Pegorini, CEO e fundador da Valora, explicou que a IA é alimentada por um banco de dados proprietário que acompanha mais de 50 índices de mais de 150 FIDCs. Em vez de analisar cenários de 18 a 24 meses, a IA possibilita uma visão de 10 anos, fornecendo um contexto mais rico para o acompanhamento do risco das operações. A gestora, com R$ 36 bilhões sob gestão e 20 anos de atuação, reuniu seu histórico em um data lake para alimentar suas aplicações de IA.

IA no acompanhamento de risco e inadimplência

A inadimplência é um dos principais indicadores monitorados pela IA. Ao analisar o histórico de um fundo, a tecnologia identifica movimentos fora do padrão e os sinaliza à equipe. Isso confere uma referência mais sólida à avaliação de dados recentes, comparando-os com o comportamento histórico do veículo. Além disso, a IA auxilia na busca por dados de compliance das empresas investidas, apoiando o acompanhamento tanto do comportamento dos fundos quanto das informações sobre quem recebe os recursos.

Na renda fixa, a Valora aplica uma lógica similar às debêntures. Um agente examina o comportamento de um título nos últimos 180 dias e sinaliza movimentos que fujam dos parâmetros definidos pelos gestores. Esses alertas são então levados para a reunião semanal de gestão, onde a equipe os analisa detalhadamente.

O modelo de investimento de longo prazo da Valora

A relação com investimentos de crédito estruturado, como os FIDCs, pode durar vários anos. Pegorini enfatiza que a estruturação do produto é apenas o início, e o trabalho de acompanhamento se estende por 4 a 5 anos, caracterizando a dinâmica da gestora como de buy and hold, e não de trade. Os FIDCs têm sido expandidos para segmentos como cartões, crédito à pessoa física, consignado e agronegócio, com a escolha do instrumento baseada nas características da operação e da área de negócio.

A Valora distribuiu profissionais de dados em suas cinco áreas de negócio (renda fixa, renda fixa estruturada, imobiliário, agro e infraestrutura) para desenvolver ferramentas de IA adequadas a cada mercado. Cada área conta com duas ou três pessoas dedicadas à ciência de dados e programação. Embora essa estrutura possa ter um custo maior que uma operação centralizada, ela permite que cada negócio estabeleça suas prioridades e que as ferramentas de IA sejam desenvolvidas próximas aos gestores.

Expansão em agro e infraestrutura com IA

Entre as oportunidades de crescimento, Pegorini destaca os setores de agro e infraestrutura. Ele vê potencial para o mercado de capitais ampliar o financiamento de atividades que tradicionalmente dependiam de bancos oficiais, utilizando instrumentos adequados a prazos longos. No agronegócio, a gestora financia desde distribuidoras e cooperativas até produtores rurais, utilizando estruturas com garantias reais, recebíveis e fluxos de pagamento.

Além dos FIDCs, a Valora utiliza certificados de recebíveis do agronegócio (CRAs) e Fiagros nessas operações. O acompanhamento desses investimentos, que se estende por anos, é crucial e é onde as inteligências artificiais da gestora têm sido de grande ajuda. A tecnologia também otimizou a produção de lâminas de fundos, reduzindo o tempo de dois dias para 15 minutos, e auxiliou na nomeação de fundos, como no caso do fundo Safeguard.

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