Vacinação infantil contra Covid-19 tem adesão de apenas 5% no Brasil

Destaques
- •Apenas 5% das crianças brasileiras estão com o esquema vacinal completo contra a Covid-19, apesar de mais de 1.100 hospitalizações e 25 mortes em 2026.
- •Diretor do PNI atribui baixa cobertura à desinformação e ao discurso antivacina durante a pandemia, que levaram à perda de doses.
- •Vacinas contra Covid-19 são seguras e extensivamente estudadas, com reações graves raras e inferiores às da própria doença.
Apenas 5% das crianças pequenas no Brasil estão protegidas com as três doses da vacina contra a Covid-19, segundo o Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde. Em 2026, a doença causou mais de 1.100 internações e 25 mortes de crianças e adolescentes no país, sendo que 15 das vítimas tinham menos de 2 anos.
O diretor do PNI, Eder Gatti, atribui o baixo índice de vacinação à desinformação e aos ataques contra as vacinas promovidos durante a pandemia, inclusive por membros do governo da época. Ele ressalta que o país possui estoques do imunizante e contratos para garantir o abastecimento, mas que a hesitação vacinal leva ao descarte de doses, com validade limitada após o descongelamento.
O que diz a ciência sobre a segurança e eficácia
Eder Gatti enfatiza que as vacinas contra a Covid-19, mesmo as mais recentes como as de RNA mensageiro, passaram por rigorosos testes de fase 1, 2 e 3, além de estudos contínuos de fase 4. Ele compara a quantidade de pesquisas sobre a vacina da Covid-19, que ultrapassa 20 mil trabalhos científicos, com vacinas mais antigas como a tríplice viral (cerca de 5 mil) e a da febre amarela (década de 30), classificando-a como a mais estudada.
Todas as vacinas aplicadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) são monitoradas. Entre as mais de 6 milhões de doses aplicadas em crianças durante a pandemia, não houve registro de óbito, e 92% das reações foram leves, como febre e dor local. Reações temidas como miocardite e trombose ocorrem em proporções muito maiores em pessoas contaminadas pela Covid-19 do que em vacinadas.
Histórico de hesitação e impacto da desinformação
A vacinação infantil contra a Covid-19 iniciou em janeiro de 2022, após autorização da Anvisa, mas enfrentou resistência. O Ministério da Saúde chegou a propor a aplicação apenas com prescrição médica, e o ex-presidente Jair Bolsonaro declarou que não vacinaria sua filha, minimizando o risco de mortes infantis.
Uma pesquisa do IBGE em 2023 revelou que 15% das crianças e adolescentes de 5 a 17 anos não foram vacinados, com 40% dos responsáveis alegando medo de reações adversas, 22% achando a vacina desnecessária e 18% desconfiando do imunizante. Entre 2020 e 2022, a pandemia causou mais de 23 mil casos graves e 1.067 mortes em crianças de até 11 anos, enquanto uma pesquisa da USP mostrou que a vacina reduziu em 97% os casos graves em crianças.
Desafios e avanços na imunização infantil
Apesar do desafio na vacinação contra a Covid-19, o PNI tem registrado aumento na cobertura de outros imunizantes do calendário infantil, graças à regularização de estoques e a estratégias de microplanejamento. Em 2022, 12 de 16 vacinas para o primeiro ano de vida tinham cobertura abaixo de 80%, mas em 2023, sete superaram 90%.
O PNI também incorporou a vacina contra o vírus sincicial respiratório para gestantes e anticorpo monoclonal para prematuros, resultando em queda de mais de 50% nos casos de bronquiolite em bebês. A vacina contra a dengue foi iniciada em 2024 para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, e a vacina VPC10 foi atualizada para VPC20, aumentando a proteção contra o pneumococo, causador de pneumonia e meningite.
Matérias originais
- Desinformação faz com que só 5% das crianças sejam protegidas da covid · agenciabrasil.ebc.com.br



