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Vacinação contra HPV reduz em 78% consultas por lesões pré-cancerosas em adolescentes

19 de outubro de 2026
Vacinação contra HPV reduz em 78% consultas por lesões pré-cancerosas em adolescentes

Destaques

  • •Consultas por lesões pré-cancerosas no colo do útero em adolescentes caíram 78% após início da vacinação contra HPV no SUS.
  • •Pesquisa publicada na Human Vaccines & Immunotherapeutics aponta a vacina como fator determinante na redução, com queda de 7,1 para 1,8 consultas a cada 100 mil adolescentes.
  • •Especialistas recomendam manutenção de altas coberturas vacinais e ampliação da faixa etária para erradicar o câncer de colo do útero.

As consultas médicas por lesões pré-cancerosas no colo do útero em adolescentes no Brasil sofreram uma queda expressiva de quase 78% desde o início da oferta da vacina contra o HPV (Papilomavírus Humano) no Sistema Único de Saúde (SUS). A pesquisa, publicada na revista científica Human Vaccines & Immunotherapeutics, reforça a eficácia do imunizante na prevenção do câncer de colo do útero, o terceiro tipo mais frequente entre as mulheres no país.

O HPV é o principal agente causador do câncer de colo do útero, desenvolvendo-se a partir de lesões pré-cancerosas, conhecidas como neoplasias intraepiteliais cervicais de alto grau. Ao prevenir a infecção pelo vírus, a vacina impede o surgimento dessas lesões que podem evoluir para a doença maligna. O câncer de colo do útero é responsável por cerca de 19 mil novos casos e 7 mil mortes anualmente no Brasil.

Queda drástica nas consultas e evidências da vacina

O SUS oferece a vacina contra o HPV desde 2014 para meninas e desde 2017 para meninos, com a faixa etária atual de 9 a 14 anos. Os dados da pesquisa revelam uma diminuição acentuada nas consultas relacionadas a essas lesões. Em 2011, foram registradas 474 consultas em adolescentes de 15 a 19 anos. Esse número chegou a 603 em 2015, mas despencou para 136 em 2023.

A taxa de consultas a cada 100 mil adolescentes, um indicador que ajusta as variações populacionais, também apresentou uma queda vertiginosa: de 7,1 em 2015 para 1,8 em 2023. Os pesquisadores destacam que essa redução expressiva na faixa etária vacinada em massa pelo SUS sugere que a diminuição não se deve a mudanças gerais no comportamento sexual ou no uso de serviços de saúde, especialmente quando comparada ao aumento de outras infecções sexualmente transmissíveis na mesma faixa etária, cuja taxa de procura médica saltou de 1,7 para 10,8 entre 2015 e 2023.

Impacto e projeções de casos evitados

A pesquisa estima que, entre 2011 e 2019, cerca de 5 mil casos de primeiras consultas por lesões pré-cancerosas em adolescentes poderiam ter sido evitados graças à vacinação. Os dados foram coletados do Sistema de Informações Ambulatoriais de Saúde e se referem a primeiras consultas com códigos específicos para essas lesões, associadas a procedimentos pertinentes.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que a erradicação do câncer de colo do útero é possível com altas coberturas vacinais, exames de rastreamento regulares e tratamento adequado das lesões pré-cancerosas. O estudo publicado reforça a vacinação como um indicador promissor, mas alerta que a manutenção desses avanços depende da preservação das altas coberturas vacinais e do resgate de jovens que não foram vacinados na época recomendada.

Próximos passos e recomendações

Os pesquisadores sugerem que o Ministério da Saúde considere a ampliação gradual da faixa etária coberta pela vacina. Atualmente, o ministério realiza campanhas de vacinação de resgate para jovens de até 19 anos que não completaram o esquema vacinal e oferece o imunizante a públicos vulneráveis, como vítimas de violência sexual e pessoas em profilaxia pré-exposição ao HIV.

O HPV é um vírus prevalente, com 80% da população tendo contato ao longo da vida, mas apenas alguns subtipos são cancerígenos. Além da vacinação, exames preventivos como o Papanicolau e a avaliação médica de lesões são cruciais para evitar a progressão para o câncer. O vírus também está associado a outros tipos de câncer, como de pênis, ânus, vagina e orofaringe.

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