Unica detalha estratégia para expandir biocombustíveis brasileiros no exterior

Destaques
- •União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) lança plano com quatro frentes para aumentar exportação de biocombustíveis.
- •Estratégia visa mercados como Índia e Japão, além de atuar em regulações internacionais e fortalecer a comunicação do Brasil no debate global.
- •Setor busca aproveitar preocupações com segurança energética e metas ambientais para expandir o uso de etanol e outras alternativas aos combustíveis fósseis.
A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) apresentou uma estratégia internacional com o objetivo de expandir a presença dos biocombustíveis brasileiros no mercado global. O plano, detalhado pelo diretor de Estratégia e Novos Negócios da entidade, Eduardo Leão, durante a 26ª Conferência Internacional Datagro sobre Açúcar e Etanol, baseia-se em quatro frentes principais: abertura de mercados para misturas de etanol, atuação sobre regulações internacionais, fortalecimento da comunicação do Brasil no debate global e estreitamento de parcerias estratégicas.
A primeira frente da estratégia foca na ampliação das oportunidades de mistura de biocombustíveis em outros países, com especial atenção a mercados emergentes como Índia, Japão e nações da Ásia e América Latina. Paralelamente, a segunda frente prevê uma atuação ativa nas discussões regulatórias internacionais, incluindo normas para os setores de transporte aéreo e marítimo, e a diretiva de energias renováveis da União Europeia. Essa articulação envolve o setor privado e o governo brasileiro, com a participação de instituições como a Marinha e o Ministério das Relações Exteriores.
Avanço em mercados e regulações
O terceiro pilar da estratégia da Unica é o fortalecimento da voz brasileira no cenário internacional. Isso será feito por meio de uma comunicação embasada em evidências científicas, buscando posicionar o Brasil como referência em biocombustíveis. A quarta frente consiste em identificar e estreitar parcerias estratégicas com outros países e instituições, visando criar sinergias e facilitar a expansão do mercado.
Eduardo Leão destacou que a estratégia busca capitalizar a crescente demanda por alternativas aos combustíveis fósseis. Fatores como a preocupação com a segurança energética, a necessidade de reduzir emissões de gases de efeito estufa e o avanço das regulações ambientais criam um ambiente favorável para os biocombustíveis brasileiros.
O setor de transportes é responsável por cerca de 23% das emissões globais, sendo que aproximadamente 16% estão associados ao transporte terrestre. Diante disso, Leão ressaltou que o combate ao aquecimento global passa, necessariamente, pela abordagem das emissões desse setor, abrindo espaço para o aumento do uso de biocombustíveis.
Desafios e oportunidades globais
A busca por segurança energética também é vista como uma oportunidade significativa para o Brasil, especialmente em face da volatilidade dos preços dos combustíveis fósseis e dos riscos de interrupção no abastecimento de petróleo, exemplificados pelas tensões geopolíticas em torno do Estreito de Ormuz. O executivo, no entanto, ponderou que a expansão internacional dos biocombustíveis enfrenta obstáculos como o protecionismo e os subsídios concedidos por outros países.
Nesse contexto, a Unica defende a continuidade do multilateralismo e o fortalecimento das instituições que regulam o comércio internacional. "O multilateralismo tem sido muito importante na garantia da competitividade dos nossos mercados, para ter preços justos para a sociedade como um todo", afirmou Leão, sublinhando a importância de um ambiente de comércio justo para o setor.
A estratégia da Unica visa, portanto, não apenas expandir o mercado para os biocombustíveis brasileiros, mas também consolidar o país como líder global em energias renováveis, aproveitando as tendências globais em sustentabilidade e segurança energética.
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