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TSMC e outras gigantes de chips investem US$ 265 bilhões nos EUA

08 de novembro de 2026

Destaques

  • •Gigantes de semicondutores como TSMC, Samsung e Micron anunciam investimentos bilionários em fábricas nos Estados Unidos, impulsionados por fatores geopolíticos e pela corrida da inteligência artificial.
  • •O movimento visa garantir a soberania tecnológica americana e reduzir a dependência de Taiwan, ao mesmo tempo em que se prepara para as transformações no mercado de trabalho causadas pela IA.
  • •A estratégia americana de trazer a produção de chips de volta ao país é vista como uma política de Estado que visa fortalecer a base industrial e econômica nacional, com potencial para gerar empregos indiretos e impostos para financiar políticas sociais.

No norte de Phoenix, Arizona, a construção de uma fábrica da TSMC, gigante taiwanesa de semicondutores, está impulsionando o mercado imobiliário local e simboliza um movimento maior dos Estados Unidos de trazer de volta a produção de bens físicos.

A fábrica da TSMC, que fabrica os chips mais avançados do mundo, está gerando um impacto significativo na região. Corretores relatam um aumento de 53% no preço de terrenos próximos e uma queda na vacância de galpões de 16% para 8% em um ano, atraindo mais de meio bilhão de dólares em capital estrangeiro.

O ressurgimento da indústria física nos EUA

A decisão dos Estados Unidos de investir em manufatura física, como a produção de chips, representa uma mudança em relação à economia focada em serviços. O país está testemunhando um fluxo de capital de US$ 265 bilhões em investimentos estrangeiros diretos na indústria de semicondutores.

Além da TSMC, a sul-coreana Samsung está investindo US$ 37 bilhões em um complexo no Texas para fabricar chips de 2 nanômetros. A americana Micron anunciou US$ 200 bilhões em fábricas, com um grande projeto em Nova York, focando em memórias, essenciais para a inteligência artificial (IA).

Geopolítica e soberania tecnológica como motores

A principal motivação por trás desses investimentos é a geopolítica. A concentração da produção de chips avançados em Taiwan, uma ilha próxima à China, representa um risco estratégico para os Estados Unidos, cuja economia depende desses componentes para carros, celulares, data centers e mísseis.

Trazer a produção para solo americano visa garantir a soberania tecnológica e reduzir a vulnerabilidade a possíveis bloqueios chineses. Essa política tem sido mantida por diferentes administrações, independentemente do partido, caracterizando-se como uma política de Estado.

O impacto da IA e a reconfiguração do mercado de trabalho

O movimento de reindustrialização ocorre em um momento em que a IA generativa começa a impactar o mercado de trabalho, especialmente empregos de colarinho branco e de escritório rotineiro. Enquanto a IA pode ampliar a capacidade de trabalhadores de alto valor, ela ameaça funções de nível júnior, programadores de execução e atendentes.

A estratégia americana de trazer de volta a fabricação de chips não visa gerar empregos em massa, pois as fábricas são automatizadas e empregam poucas pessoas com altos salários. O objetivo é garantir a posse da base física da Era da IA, como chips, energia e data centers, cobrando pedágios futuros e promovendo o vazamento de conhecimento e o desenvolvimento de engenharia local.

Benefícios econômicos e estratégicos para os EUA

A instalação dessas fábricas gera lucros, exportações e impostos, que podem financiar políticas sociais e de requalificação para os desempregados pela IA. Além disso, a produção doméstica de chips reduz a alavancagem da China sobre o Ocidente, diminuindo a dependência de Taiwan e fortalecendo a posição estratégica dos EUA na região.

A presença da TSMC nos EUA, mesmo com a saída da produção de Taiwan, não significa o abandono da ilha. Taiwan continua estratégica pelo seu papel nas rotas marítimas globais, e os Estados Unidos manterão sua proteção.

A resposta aos que duvidavam da eficácia da estratégia de tarifas está se materializando no deserto do Arizona. Os Estados Unidos estão construindo um novo chão sob seus pés, como um projeto de nação em um cenário de guerra permanente, enquanto outros países, com economias dependentes de serviços e sem base industrial, questionam seu próprio futuro.

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