Trump usa carne argentina para baixar preço nos EUA e complica Milei
Destaques
- •Acordo bilateral amplia cota de carne argentina para os EUA em 500%, de 20 mil para 100 mil toneladas.
- •Medida visa reduzir inflação de carne nos EUA antes das eleições legislativas.
- •Argentina prioriza mercado americano, elevando preços internos e reduzindo consumo local.
O presidente americano Donald Trump, preocupado com a alta da carne bovina, buscou a Argentina para aumentar os embarques e aliviar os preços nos EUA. O país vizinho, tradicional exportador, respondeu prontamente, ampliando suas vendas para o mercado americano em um ritmo sem precedentes.
Essa estratégia, pensada para impulsionar a popularidade de Trump antes das eleições, pode sair cara para o presidente argentino Javier Milei. Ao priorizar os pagamentos em dólar dos EUA, que são mais vantajosos, os exportadores argentinos têm deixado de lado a China, o que eleva os preços internos e derruba o consumo.
A consequência direta é que os açougues argentinos estão subindo os preços da carne bovina, um item quase sagrado no país, a níveis recordes de baixa no consumo. O consumo médio caiu para 47,5 kg por pessoa, o menor em duas décadas.
A ampliação da cota anual de exportação para 100 mil toneladas, cinco vezes maior que as anteriores, beneficia diretamente frigoríficos e restaurantes, como o famoso Don Julio, que agora pode levar cortes premium para seu novo bistrô em Nova York. No entanto, para Milei, a imagem de consumidores argentinos lutando para comprar carne enquanto exportadores lucram pode ser um tiro no pé às vésperas de sua reeleição. 📉

