Tratamento de AVC isquêmico pode ser estendido para até 72 horas em casos selecionados

Destaques
- •Estudo publicado no The New England Journal of Medicine sugere benefícios da trombectomia endovascular em pacientes com AVC isquêmico atendidos entre 24 e 72 horas após os sintomas.
- •A pesquisa, realizada na China com 336 pacientes, mostrou melhores resultados funcionais, mas também um aumento significativo de sangramentos cerebrais.
- •A decisão de estender o tratamento dependerá da avaliação individual do paciente, com base em exames de imagem que identifiquem tecido cerebral viável.
Um estudo publicado na revista científica The New England Journal of Medicine em 23 de outubro sugere que o tratamento para alguns tipos de acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico pode ser estendido para até 72 horas após o início dos sintomas, em vez do prazo tradicional de 24 horas.
A pesquisa identificou melhores resultados funcionais em pacientes submetidos à retirada de coágulos (trombectomia endovascular) nesse intervalo de tempo ampliado. No entanto, o estudo também registrou uma maior ocorrência de sangramentos cerebrais e mortes entre esses pacientes, indicando a necessidade de uma avaliação criteriosa.
O que é o AVC isquêmico e como é tratado?
O AVC isquêmico ocorre quando um coágulo sanguíneo bloqueia o fluxo de sangue para uma parte do cérebro, privando as células de oxigênio e nutrientes. Os tratamentos incluem a trombólise, com medicamentos para dissolver o coágulo, e a trombectomia endovascular, um procedimento mecânico para remover a obstrução.
A trombectomia endovascular é utilizada para AVCs causados pelo bloqueio de grandes vasos. Por muito tempo, acreditou-se que o procedimento só era eficaz nas primeiras horas. Pesquisas posteriores expandiram essa janela para até 24 horas em pacientes selecionados.
O novo estudo e seus resultados
O ensaio clínico, realizado em 35 centros especializados em AVC na China, avaliou 1.088 pacientes, com 336 participando da análise principal. Os participantes foram divididos em dois grupos: um recebeu a terapia endovascular combinada com tratamento médico padrão, e o outro recebeu apenas o tratamento médico padrão.
Após 90 dias, os pacientes que passaram pela terapia endovascular apresentaram melhores resultados funcionais, com maior probabilidade de realizar atividades do dia a dia. Isso significa que a intervenção, mesmo tardia, pôde preservar tecido cerebral viável.
Riscos e benefícios da intervenção tardia
Apesar dos benefícios funcionais, a intervenção tardia apresentou riscos consideráveis. A hemorragia intracraniana ocorreu em 28,3% dos pacientes submetidos à terapia endovascular, comparado a 5,5% no grupo controle. Casos de hemorragia intracraniana sintomática, que causam sintomas clínicos, foram registrados em 4,8% dos pacientes tratados, sem ocorrências no grupo de controle.
Os resultados também variaram conforme o local e a origem da obstrução, sendo a melhora funcional maior em casos de bloqueio da artéria carótida interna do que da artéria cerebral média. A resposta também diferiu conforme o tipo de aterosclerose.
Critérios para a extensão do tratamento
Os autores do estudo ressaltam que o procedimento não deve ser indicado indiscriminadamente para todos os pacientes com AVC há mais de 24 horas. Um critério fundamental para a inclusão no estudo foi a identificação de tecido cerebral viável por meio de exames de imagem.
Portanto, a decisão de estender a janela de tratamento para até 72 horas deve considerar as condições clínicas e os exames de cada paciente, ponderando cuidadosamente os possíveis benefícios e riscos da intervenção tardia.



