Toyota lança SUV Century e busca consolidar marca de luxo global

Destaques
- •Toyota apresenta SUV Century e o posiciona como marca independente acima da Lexus, mirando o mercado de ultraluxo.
- •O novo SUV Century, com motor híbrido plug-in V6, custa menos da metade de um Rolls-Royce Cullinan, mas busca competir em status e exclusividade.
- •A marca japonesa planeja expandir o alcance global do Century, com foco em qualidade de rodagem, conforto e acabamento artesanal, e avalia entrada no mercado americano.
A Toyota está apostando alto no mercado de ultraluxo com a expansão de sua marca Century, apresentando um novo SUV Century e um conceito de cupê, com o objetivo de se consolidar globalmente. A estratégia foi evidenciada em setembro, quando o presidente do conselho da Toyota, Akio Toyoda, exibiu o SUV Century em Detroit, um veículo que espelha o luxo de marcas como a Rolls-Royce.
O Diretor de Tecnologia da Toyota, Hiroki Nakajima, confirmou à Bloomberg que o Century é um modelo global e que a empresa busca feedback de figuras da indústria automotiva americana e de potenciais compradores. Embora a Toyota ainda não tenha anunciado um lançamento oficial nos EUA, a presença do SUV em Detroit sinaliza um forte interesse no mercado americano.
O legado do Century e a nova estratégia de marca
Lançado originalmente em 1967 como um sedã discreto para executivos e figuras públicas no Japão, o Century sempre foi sinônimo de qualidade de rodagem, conforto, silêncio e acabamento impecável. O modelo se tornou um símbolo de status e discrição, servindo à família imperial e a grandes empresários.
Agora, a Toyota busca transformar essa herança em uma marca de luxo internacional. Em 2023, a empresa introduziu o SUV Century, e em 2025, declarou oficialmente o Century como uma marca independente, posicionada acima da Lexus. Um conceito de cupê de duas portas apresentado no Japan Mobility Show 2025 sugere um futuro ainda mais expressivo para a marca.
O presidente Akio Toyoda descreveu o propósito da marca Century como o de levar o orgulho do Japão para o mundo, destacando elementos culturais como o brocado Nishijin-ori e a laca urushi em seu marketing. A intenção é criar uma identidade distinta, sem copiar o estilo de marcas como Rolls-Royce ou Bentley, mas mirando diretamente em seus modelos.
Posicionamento e desafios no mercado de ultraluxo
O SUV Century tem um preço inicial de ¥ 27 milhões (cerca de US$ 1,3 milhão) no Japão, com um motor híbrido plug-in V6 de 3.5 litros. Este valor é significativamente inferior ao de um Rolls-Royce Cullinan de entrada, que custa mais do que o dobro. O conceito de cupê, por sua vez, tem expectativa de preços acima de R$ 1,09 milhão, com especulações sobre o retorno do motor V12.
O Brasil é visto como uma oportunidade para a marca, dada a confiança que a Toyota construiu com modelos como Corolla e Camry. No entanto, o desafio será convencer os consumidores a depositar essa confiança em uma faixa de preço muito superior, distanciando o Century da marca Toyota e criando uma nova imagem de marca.
Para competir com nomes estabelecidos como Rolls-Royce, Bentley, Lamborghini e Ferrari, o Century precisará oferecer uma experiência de propriedade excepcional. Pontos de venda exclusivos, atendimento personalizado e uma clara demonstração do valor agregado em comparação com a Lexus serão cruciais. Atualmente, o Century está sendo vendido na China com suporte de manutenção nas concessionárias Lexus, devido à falta de estrutura própria.
Declaração de pertencimento ao segmento super premium
Segundo o analista Tatsuo Yoshida, o baixo volume de vendas do Century não visa apenas o lucro, mas sim a declaração de que a Toyota pertence à categoria super premium. Uma marca Century independente permitiria que a Lexus mantivesse seu posicionamento como marca de luxo mais acessível.
O sucesso do Century dependerá de sua capacidade de exaltar qualidades como discrição, acabamento artesanal, qualidade de construção e identidade japonesa. A estratégia é atrair um público que busca exclusividade e algo raro, em vez de apenas tentar ofuscar concorrentes europeus em seu próprio jogo.



