Telma Soares lidera centro de IA pioneiro e busca mais mulheres na tecnologia

Destaques
- •Telma Soares, diretora-executiva do CEIA da UFG, é pioneira na formação em Inteligência Artificial no Brasil.
- •O centro, criado em 2019, já formou talentos e desenvolveu soluções para empresas, recebendo R$ 78 milhões do governo goiano.
- •Telma busca inspirar mais mulheres a seguir carreiras em tecnologia, combatendo a ideia de que a área não é para elas.
Aos 13 anos, Telma Soares teve o primeiro contato com computadores, mas foi em um curso técnico de processamento de dados, quase por acaso, que ela descobriu sua vocação. Três décadas depois, Telma é diretora-executiva do CEIA (Centro de Excelência em Inteligência Artificial) da Universidade Federal de Goiás (UFG), liderando o primeiro bacharelado em inteligência artificial do país e projetos inovadores com empresas. O centro, criado em 2019, reúne 1.150 colaboradores e receberá R$ 78 milhões do governo goiano até 2031.
A trajetória de uma pioneira na computação
A afinidade de Telma com a área de exatas se manifestou desde cedo, com um gosto especial por resolver problemas matemáticos. Na faculdade de Ciência da Computação na Unesp, ela se aproximou da ciência através da iniciação científica. A escolha pela carreira acadêmica, em detrimento do mercado de trabalho com sua rotina intensa, foi motivada pelo desejo de gerar coisas novas e conciliar a vida profissional com os planos pessoais, como constituir família. Ela seguiu para mestrado e doutorado na USP, com pesquisas em meta-heurísticas e bioinformática, antes de ingressar na UFG.
Mesmo focada na academia, Telma nunca perdeu o contato com o mercado. Desde a graduação, trabalhou em projetos com empresas, buscando devolver algo à sociedade no curto prazo. Essa ponte com o setor privado foi fundamental para a criação do CEIA, que nasceu de projetos desenvolvidos por Telma e Anderson Soares desde 2014, com o apoio do governo de Goiás.
O impacto do CEIA e a formação de talentos
O CEIA, unidade da Embrapii, foca em pesquisa aplicada em inteligência artificial, formação de talentos e parcerias com empresas de diversos setores. Projetos incluem gêmeos digitais e uso de IA generativa. Em outubro, o centro lançou o Ceia Lumi, um modelo de linguagem para o português. Para Telma, a maior realização é a formação de pessoas e a diferença que o centro faz na vida delas. Cerca de 85% dos alunos do bacharelado em IA da UFG recebem bolsa de empresas parceiras como iFood, Itaú, Globo e Natura. O centro também atraiu de volta mais de 15 pesquisadores brasileiros que atuavam no exterior.
Em sala de aula, Telma observa a mudança no papel do professor, que se torna um facilitador do acesso ao conhecimento e um tradutor do que está acontecendo no mundo da tecnologia. Ela destaca a curiosidade dos alunos, que frequentemente levam a discussões fora do roteiro, exigindo a construção de pontes para conectar o conteúdo com o interesse deles.
Mulheres na tecnologia: um protagonismo a ser retomado
Telma Soares nota que, apesar da participação quase igualitária entre meninos e meninas em competições de exatas no ensino fundamental e médio, muitas mulheres não seguem carreiras na área. Ela acredita que a percepção de que a carreira em TI cerceia outros anseios da vida é um obstáculo, mas sua própria trajetória prova o contrário, conciliando sucesso profissional com realização familiar. Telma tem como meta ser inspiração para atrair mais meninas para a computação.
Ela reconhece que o caminho para as mulheres na área pode ser mais difícil, exigindo, por vezes, a necessidade de provar resultados primeiro. No entanto, ressalta que outras mulheres já trilham esse caminho. Telma defende que as mulheres possuem um olhar mais sistêmico para a resolução de problemas, o que é uma vantagem na construção de software, vendo como as peças se interligam além das especificações. Ela cita Ada Lovelace e as programadoras do ENIAC como exemplos históricos, enfatizando a necessidade de retomar o protagonismo feminino na área.
O futuro do CEIA e a tecnologia no Brasil
Os próximos passos do CEIA incluem a consolidação do convênio de R$ 78 milhões com o governo de Goiás até 2031, a construção de uma sede própria e a expansão para a Faculdade de Medicina da UFG. Telma almeja o crescimento do centro, com mais impacto e alcance em outras regiões do Brasil, oferecendo oportunidades a mais pessoas. Ela espera fazer as escolhas certas para proporcionar esse crescimento.
Telma Soares, que integra a lista IT Forum Mulheres, acredita que a tecnologia terá um papel cada vez mais relevante no desenvolvimento do país e do mundo, e deseja que sua história incentive mais pessoas, homens e mulheres, a se dedicarem a essa área em constante evolução.



