Tecnologia & NegóciosRelevância BR: 9/10

Telma Soares: da computação por acaso à liderança em IA na UFG

06 de novembro de 2026
Telma Soares: da computação por acaso à liderança em IA na UFG

Destaques

  • •Telma Soares, diretora-executiva do CEIA da UFG, é pioneira na formação em Inteligência Artificial no Brasil.
  • •O CEIA, centro de excelência em IA, já formou mais de 15 pesquisadores que retornaram do exterior e recebe R$ 78 milhões do governo goiano.
  • •Telma Soares busca inspirar mais mulheres a ingressarem na área de tecnologia, combatendo o estigma de que a computação não é para elas.

Aos 13 anos, Telma Soares deu os primeiros passos no mundo da computação quase por acaso, ao se matricular em um curso técnico de processamento de dados. Três décadas depois, ela se tornou diretora-executiva do Centro de Excelência em Inteligência Artificial (CEIA) da Universidade Federal de Goiás (UFG), liderando a formação de talentos e projetos inovadores na área. O CEIA, criado em 2019, é uma unidade da Embrapii e já conta com 1.150 colaboradores, segundo a universidade.

O centro, que tem Telma Soares ao lado dos professores Anderson Soares e Arlindo Galvão, é responsável pelo primeiro bacharelado em inteligência artificial do país. O governo de Goiás anunciou um investimento de R$ 78 milhões até 2031 para o CEIA, que já recebeu um aporte inicial de R$ 12 milhões. Telma também atua como professora e orientadora de pesquisadores no Instituto de Informática da UFG.

A jornada de Telma Soares na computação

A afinidade de Telma com a área de exatas se manifestou desde cedo, com um gosto especial por matemática. A virada para a computação ocorreu durante um curso extra de Visual Basic, onde ela construiu seus primeiros programas. Na graduação em Ciência da Computação na Unesp, Telma se aproximou da ciência através da iniciação científica e de estágios. Ao final do curso, ponderou entre a carreira acadêmica e o mercado de trabalho.

A rotina de prontidão permanente exigida por empresas disputadas a fez optar pela academia. "É quase vender a vida e a alma nesse processo", afirmou. A carreira acadêmica, por outro lado, oferecia a possibilidade de gerar coisas novas e conciliar os anseios pessoais. Ela seguiu para mestrado e doutorado na USP, com pesquisas em meta-heurísticas e bioinformática, antes de ingressar na UFG.

CEIA: Inovação e formação de talentos em IA

A ponte entre a academia e o setor privado foi fundamental para a criação do CEIA. Telma e Anderson Soares já desenvolviam projetos com empresas desde 2014. O centro hoje reúne pesquisa aplicada em inteligência artificial, formação de talentos e parcerias com empresas de diversos setores, como alimentos, energia, manufatura e logística. Projetos incluem gêmeos digitais para plantas industriais e o uso de IA generativa em processos produtivos.

Em outubro, o CEIA lançou o Ceia Lumi, um modelo de linguagem desenvolvido para o português. Um dos maiores orgulhos de Telma é a formação de pessoas: cerca de 85% dos alunos do bacharelado em IA da UFG recebem bolsa paga por empresas parceiras como iFood, Itaú, Globo e Natura. O centro também afirma ter trazido de volta mais de 15 pesquisadores brasileiros que atuavam no exterior.

Mulheres na tecnologia: um protagonismo a ser retomado

Telma Soares nota que, apesar da participação equilibrada entre meninos e meninas em competições de exatas no ensino fundamental e médio, muitas mulheres não seguem carreira na área. "As mulheres olham para a carreira de TI e a veem como uma carreira que cerceia muitos outros anseios e desejos da vida", observa. Ela, no entanto, contradiz essa ideia, afirmando ter conseguido se realizar em todos os campos, inclusive na família.

Ela acredita que as mulheres possuem um olhar mais sistêmico para os problemas, o que é uma vantagem na construção de software. "Muitas mulheres acabam achando que a lógica não é para elas. Não é verdade. Às vezes, a solução vem de um olhar mais completo", defende. Telma se inspira em pioneiras como Ada Lovelace e Grace Hopper e busca ser uma referência para incentivar mais meninas a ingressarem na computação. "Precisamos retomar nosso lugar de protagonismo", conclui.

O futuro do CEIA e da tecnologia

Os próximos passos do CEIA incluem a consolidação do convênio de R$ 78 milhões com o governo de Goiás, a construção de uma sede própria e a expansão para a Faculdade de Medicina da UFG. Telma deseja que o centro cresça, impacte mais regiões do Brasil e ofereça oportunidades a mais pessoas. Ela também quer que sua história sirva de incentivo para que mais mulheres e homens se dediquem à tecnologia, área que considera crucial para o desenvolvimento do país e do mundo.

Telma Soares integra a lista IT Forum Mulheres, que destaca 35 mulheres da tecnologia.

Receba as Melhores Notícias

Assine nossa newsletter e receba diariamente as notícias mais relevantes, sem viés político.

Edição matinal diária às 07:00 • 7 minutos de leitura • Gratuita.

Notícias Relacionadas

Telma Soares: da computação por acaso à liderança em IA na UFG | AINewz | AINewz — Inteligência de Notícias