SUS avalia nova forma de tratamento para hemofilia B via subcutânea

Destaques
- •Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS analisa proposta para mudar tratamento da hemofilia B.
- •A nova abordagem visa substituir as aplicações intravenosas por injeções subcutâneas a cada dois meses, buscando maior conforto e adesão ao tratamento.
- •A consulta pública para o tema deve abrir em até dois meses, permitindo a participação social na decisão.
O Sistema Único de Saúde (SUS) está avaliando uma nova forma de tratamento para a hemofilia B, um distúrbio genético raro que afeta a coagulação do sangue. Atualmente, o protocolo prevê aplicações intravenosas do Fator IX, proteína essencial para a coagulação, que podem chegar a 150 por ano. A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) analisa a possibilidade de substituir essa via pela subcutânea, com aplicações a cada dois meses.
A mudança proposta visa trazer mais conforto e praticidade aos pacientes, que hoje precisam se deslocar frequentemente para receber o tratamento intravenoso. A administradora e especialista em advocacy e acesso à saúde, Carolina Cohen, fundadora da Colabore com o Futuro, destaca os benefícios da nova abordagem.
Benefícios da via subcutânea
“Além de ser mais confortável, as idas até os hemocentros são muito menores, é muito mais fácil e impacta muito menos a rotina, o emocional, o físico”, explicou Cohen. Ela ressalta que a nova forma de administração pode garantir maior adesão ao tratamento, um fator crucial para o manejo da doença. A via subcutânea representa uma inovação significativa, facilitando a vida de quem convive com a hemofilia B.
A proposta em análise na Conitec não apenas considera o aspecto técnico, mas também o humano e a potencial economia financeira para o sistema de saúde. A atualização do protocolo pode conceder mais autonomia aos pacientes e otimizar o uso de vagas e profissionais na rede pública.
Participação social no processo
O processo de avaliação envolve a coleta de relatos de grupos, associações, familiares e servidores. A expectativa é que a consulta pública para o tema seja aberta em até dois meses. Carolina Cohen enfatiza a importância da participação da sociedade civil nesse processo.
“É uma ferramenta extremamente importante que precisamos aproveitar e usar. É nosso direito e, quanto mais usarmos, mais perto estaremos do país que queremos construir”, afirmou a especialista. Desde 2017, a Colabore com o Futuro tem contribuído para a incorporação de mais de setenta medicamentos e mudanças em procedimentos no SUS, impactando positivamente a vida de milhões de brasileiros.
Próximos passos e prazos
Mesmo com a burocracia que pode estender o prazo de implementação das atualizações clínicas, que pode ultrapassar os 180 dias após a aprovação, a mobilização social através das consultas públicas é vista como fundamental. A Conitec é o órgão colegiado do Ministério da Saúde responsável por avaliar a incorporação de novas tecnologias e medicamentos no SUS.
A hemofilia B é uma doença rara, e a busca por tratamentos mais eficazes e menos invasivos é uma prioridade para melhorar a qualidade de vida dos pacientes. A decisão final sobre a incorporação da via subcutânea dependerá da análise técnica e da participação social no processo.


