Surto de Ebola na RDC já matou mais de 5 mil pessoas, com 50% de letalidade
Destaques
- •Epidemia na República Democrática do Congo atinge marca trágica de mais de 5 mil mortes.
- •Taxa de letalidade do vírus Bundibugyo chega a quase 50%, com um terço das vítimas sem atendimento.
- •Conflitos armados, resistência da população e greves de profissionais de saúde dificultam o combate à doença.
O surto de ebola na República Democrática do Congo (RDC) atingiu a marca trágica de 5.026 mortes entre 10.351 pessoas infectadas, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde do país em 31 de outubro. A taxa de letalidade do vírus Bundibugyo, causador da epidemia declarada em meados de maio, é de quase 50%, com 2.788 recuperados. Este surto se tornou o segundo mais mortal da história, atrás apenas da epidemia na África Ocidental entre 2014 e 2016, que causou 11 mil mortes.
Alcance e gravidade do surto
A doença se espalhou por 67 das 178 zonas de saúde do Congo, em oito das 26 províncias. As províncias de Ituri e Kivu do Norte concentram a maior parte dos casos, com 9.782 infectados e 4.792 óbitos. O médico Patrick Otim, da Organização Mundial da Saúde (OMS), lamentou o marco, destacando que "são famílias e comunidades devastadas por esse surto".
Um dos maiores desafios para conter a disseminação é a dificuldade em rastrear os contatos de pessoas infectadas. Cerca de 80% dos novos casos estão fora das cadeias de monitoramento, e um terço das vítimas morreu sem receber atendimento médico, antes mesmo de serem testadas. "São pessoas que nunca tivemos a oportunidade de tentar salvar", disse Otim, expressando preocupação sobre como alcançar essas populações mais cedo.
Obstáculos no combate à doença
A resposta ao ebola enfrenta sérias dificuldades devido aos conflitos armados no leste do país, à resistência de parte da população às medidas de saúde e às greves de profissionais que cobram salários atrasados. Na província de Ituri, funcionários de um centro de tratamento interromperam atividades para cobrar quatro meses de pagamentos.
O surto também ultrapassou as fronteiras congolesas, com registros no Quênia (oito infecções e duas mortes) e Uganda. Na Nigéria, um paciente foi transferido para a Suíça. Com casos em três regiões africanas, o atual surto é o de maior alcance geográfico já observado no continente.
Entendendo o Ebola e o vírus Bundibugyo
O ebola é uma doença infecciosa grave causada por vírus da família Filoviridae, transmitida de animais para humanos (zoonose), com morcegos frugívoros como hospedeiros naturais. A transmissão entre pessoas ocorre pelo contato direto com sangue ou fluidos corporais de infectados, ou objetos contaminados. Não é transmitida pelo ar.
Os sintomas incluem febre alta, dor de cabeça, dores musculares, fraqueza, diarreia, vômitos e, em casos graves, hemorragias e falência de órgãos. A espécie Bundibugyo, responsável pelo surto atual, foi identificada em 2007. Diferente da espécie Zaire, causadora de epidemias anteriores, o vírus Bundibugyo não possui vacina ou terapia específica aprovada. Pacientes recebem apenas cuidados de suporte.



