Super El Niño pode causar 857 mil mortes adicionais até março de 2027

Destaques
- •Fenômeno climático El Niño pode ser responsável por mais de 857 mil mortes adicionais em todo o mundo até março de 2027, segundo estudo.
- •Brasil está entre os países mais afetados, com projeção de 26.700 mortes adicionais e risco de secas no Norte/Nordeste e chuvas extremas no Sul.
- •O estudo do Climate Impact Lab projeta que o calor extremo já causou 484.500 mortes entre junho e setembro de 2026.
O fenômeno climático Super El Niño poderá ser responsável por cerca de 857 mil mortes adicionais relacionadas ao calor extremo em todo o mundo até março de 2027. A projeção é do Climate Impact Lab, da Universidade de Chicago, que divulgou os dados na última sexta-feira (29.out.2026). O monitor El Niño Heat Mortality Tracker, desenvolvido pelos pesquisadores, aponta que o calor extremo já teria causado 484.500 mortes entre junho e setembro deste ano. A previsão é de mais 372.900 mortes até março, totalizando o número estimado.
Impacto no Brasil
O Brasil está entre os países mais afetados pela projeção, com uma estimativa de 26.700 mortes adicionais no período de junho de 2026 a março de 2027. Desse total, 19.500 mortes podem ocorrer nos próximos seis meses. O fenômeno climático, caracterizado pela elevação de 2°C ou mais na temperatura média da superfície do mar no Pacífico, deve intensificar secas e incêndios nas regiões Norte e Nordeste do país.
Além disso, o Super El Niño pode aumentar a frequência de ondas de calor na região Centro-Oeste e provocar chuvas extremas na região Sul do Brasil. A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) também identificou 878 municípios com risco de inundações ou enxurradas na região Sul, o que representa 73,7% das cidades dos três estados. Desses, 319 cidades estão nas duas faixas mais críticas (risco muito alto e alto).
Países mais afetados e metodologia
A Índia lidera a lista de países com as maiores previsões de mortes, com 160.000 óbitos estimados até março de 2027, sendo 55.200 nos próximos seis meses. A China aparece em segundo lugar, com 85.400 mortes. Outros países com altas projeções incluem Nigéria (69.700), Sudão (53.200), Indonésia (49.500) e República Democrática do Congo (24.700).
As projeções consideram o número de mortes adicionais em comparação com a média do período de referência de 1996 a 2005. Segundo o Climate Impact Lab, a estimativa de mortes aumentou em relação a um relatório anterior, divulgado em setembro de 2026, devido às temperaturas de agosto e setembro terem ficado acima do previsto. A metodologia pode gerar valores negativos para alguns países, indicando uma estimativa de mortes abaixo da linha de base histórica.
Histórico e recomendações
O fenômeno El Niño, causado pelo aquecimento anormal das águas do oceano pacífico equatorial, ocorre ciclicamente a cada 2 a 7 anos. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) alertou que o El Niño atual deve ser um dos mais fortes da história, com seus principais efeitos concentrados na América do Sul e Central. No Brasil, os mais severos são chuvas intensas no Sul e secas prolongadas no Norte e Nordeste.
Estudos citados pela ANA reforçam a tendência de aumento da magnitude e frequência de cheias e inundações na região Sul devido às mudanças climáticas. O Atlas de Risco a Inundações da região Sul, lançado pela ANA, apresenta medidas para subsidiar a redução dos riscos, como a ampliação das redes de monitoramento hidrológico, o aprimoramento dos registros de desastres e a elaboração de planos de contingência.



