Economia & PolíticaRelevância BR: 9/10

STF: Fux rebate críticas e defende banimento de apostas online

03 de novembro de 2026
STF: Fux rebate críticas e defende banimento de apostas online

Destaques

  • •Ministro Luiz Fux defende proibição das apostas online como problema de saúde pública e rebate críticas sobre a composição da audiência pública.
  • •Governo aponta custos sociais de R$ 30,6 bilhões anuais com ludopatia, enquanto setor esportivo alerta para perdas financeiras e risco de mercado ilegal.
  • •Audiência pública subsidiará julgamento no STF sobre a Medida Provisória que proibiu as apostas, enquanto o Congresso Nacional ainda analisa o texto.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux rebateu nesta terça-feira (3) as críticas sobre a escolha de participantes para a audiência pública que debate a proibição das apostas online no Brasil. Fux defendeu o banimento das bets, como são conhecidas as plataformas de apostas, e afirmou que a atividade representa um problema de saúde pública. A audiência pública, convocada por Fux, visa reunir subsídios para o julgamento de ações que questionam a Medida Provisória (MP) editada pelo governo federal que proibiu as apostas de quota fixa no país.

Fux destacou que em audiências anteriores ouviu entidades contrárias à autorização das bets, como a Associação Nacional de Psiquiatria e o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), que expuseram os malefícios da ludopatia, o vício em jogos de azar. Na ocasião, o ministro afirmou ter se convencido de que as apostas online são “um problema de saúde pública” e que as bets “devem ser banidas”. Ele rebateu alegações de que teria convocado predominantemente entidades favoráveis às apostas, citando a participação de entidades ligadas ao setor de supermercados e reforçando a inclusão de representantes do Ministério da Saúde e da Justiça e Segurança Pública.

Argumentos a favor e contra as bets

A audiência pública contou com a participação de diversos representantes, com uma divisão entre aqueles que defendem a proibição e os que buscam a manutenção ou regulamentação das apostas. Entidades esportivas, como 11 clubes de futebol (incluindo Flamengo, Corinthians e São Paulo), a CBF e a Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol, apresentaram argumentos focados na saúde financeira dos clubes, muitos dos quais estão em recuperação judicial.

Por outro lado, órgãos como a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) apresentaram estudos que associam o fim das bets ao aumento das compras de alimentos, citando um crescimento de 6,5% nas vendas de alimentos após a proibição. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI) também apoiam a MP, citando o impacto das apostas na inadimplência.

Na área da saúde, a Advocacia-Geral da União (AGU) apresentou dados que indicam um crescimento de 140% nos atendimentos no SUS ligados ao transtorno do jogo entre 2018 e 2025, com custos sociais estimados em R$ 30,6 bilhões anuais. O ministro da Justiça, Wellington César de Lima Silva, defendeu a MP, afirmando que o governo não buscou um atalho, mas sim debater hipóteses para superar o drama social envolvido.

Próximos passos e o futuro das apostas

A audiência pública não define o destino das bets, mas serve para subsidiar o relator, Luiz Fux, na análise do pedido de suspensão da MP. O julgamento no plenário do STF está suspenso desde agosto de 2026, após um pedido de vista do ministro Flávio Dino. A primeira-dama, Janja Lula da Silva, entregou a Fux um relatório detalhado sobre o tema.

No Congresso Nacional, a MP 1.394/2026 ainda depende de aprovação para se tornar lei. A comissão mista que analisa o texto ainda não foi instalada, e a MP começa a trancar a pauta em 9 de novembro. Pesquisas indicam que a proibição tem respaldo popular, com 75% dos brasileiros defendendo o fim das apostas online.

Receba as Melhores Notícias

Assine nossa newsletter e receba diariamente as notícias mais relevantes, sem viés político.

Edição matinal diária às 07:00 • 7 minutos de leitura • Gratuita.

Notícias Relacionadas