Startups de IA no Brasil focam em nichos jurídicos, ambientais e de visibilidade

Destaques
- •Ferramentas de inteligência artificial desenvolvidas no Brasil buscam otimizar tarefas complexas em áreas como direito tributário, planejamento de arborização urbana e visibilidade em buscas de IA.
- •A Lia Tax promete agilizar a análise de documentos e a elaboração de peças jurídicas, enquanto a Arbora utiliza IA para planejar o plantio de árvores em cidades, e a First Answer foca em otimizar a presença de marcas em respostas de IA.
- •O desenvolvimento dessas soluções envolve investimentos próprios e busca por validação no mercado, com lançamento de produtos e novas rodadas de investimento previstas.
Três startups brasileiras estão desenvolvendo soluções inovadoras baseadas em inteligência artificial (IA) para atender nichos específicos do mercado. A Lia Tax visa auxiliar advogados e contadores na área tributária, a Arbora foca em planejamento de arborização urbana, e a First Answer trabalha com visibilidade e otimização em buscas de IA.
A Lia Tax, com lançamento previsto para 29 de outubro, promete automatizar tarefas manuais e repetitivas no direito tributário, como monitoramento de legislação e análise de documentos. Fundada por Gabriela e Mariana Penido, a ferramenta utiliza uma metodologia adaptada de Stanford para evitar alucinações da IA e se baseia em um acervo estruturado de dados tributários brasileiros. O principal desafio foi alimentar a IA com mais de 700 mil documentos e ensinar a navegar em sua hierarquia complexa. As fundadoras investiram R$ 250 mil do próprio bolso no desenvolvimento.
IA para o Direito Tributário e a Sustentabilidade Urbana
O direito tributário é destacado como um campo com impacto imediato, onde mudanças na legislação ou nas orientações da Receita Federal exigem adaptações rápidas nas operações empresariais. A Lia Tax busca oferecer respostas mais fundamentadas e rápidas do que modelos de linguagem genéricos, que nem sempre são atualizados diariamente com a mesma agilidade. A equipe, que inclui o CTO Moacir, adota uma filosofia "AI first", onde a IA é um pilar central do negócio.
Já a Arbora, fundada em 2017, utiliza IA para criar planos de arborização urbana mais eficientes. Seu software, fruto de pesquisa de mestrado e apoiado pelo programa Centelha, usa dados de satélite e informações socioeconômicas para identificar as áreas prioritárias para o plantio de árvores. A plataforma reduz o tempo de elaboração de planos municipais de arborização de seis a sete meses para três semanas. Além do poder público, empresas que buscam compensação ambiental e neutralidade de carbono podem usar a plataforma para calcular o valor de créditos de carbono com base nas árvores plantadas, como no exemplo da cidade de Ponta Grossa (PR).
Otimizando a Presença de Marcas em Respostas de IA
A First Answer, lançada em meados de junho de 2025, atua na área de "AI Visibility" e "Generative Engine Optimization" (GEO). A startup surgiu da percepção de que o resumo de IA do Google, por exemplo, pode fazer com que usuários deixem de visitar sites, mesmo que bem ranqueados. A ferramenta permite que empresas monitorem e melhorem como suas marcas aparecem nas respostas de inteligências artificiais.
Com um investimento inicial de R$ 50 mil e posteriormente R$ 650 mil, incluindo aporte do programa Inova Startup e investidores-anjo, a First Answer roda em oito das principais IAs do mercado, coletando dados diariamente via scraping. O objetivo é simular uma busca neutra para analisar as respostas. Em um painel, os clientes podem monitorar prompts relevantes, fontes citadas, posição da marca e o sentimento do usuário, além de acompanhar concorrentes. A estratégia de conteúdo é crucial, pois a IA pode priorizar diferentes fontes dependendo do setor.
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