Sony descontinua último player de Blu-ray dedicado no Japão

Destaques
- •Sony encerra produção de leitores de Blu-ray dedicados no Japão com o modelo UBP-X700/K.
- •A decisão reforça a tendência de migração para streaming e levanta dúvidas sobre leitores ópticos em futuros consoles.
- •Mercado de mídias físicas perde espaço para conveniência do streaming, mas formatos como vinil e CD mostram resistência.
A Sony encerrou oficialmente a produção de seu último player dedicado de Blu-ray no Japão. O modelo UBP-X700/K foi marcado como "descontinuado" no catálogo da fabricante, pondo fim à venda de novos reprodutores independentes da marca no país após cerca de duas décadas de presença do formato. A informação, divulgada pelo site FlatpanelsHD, confirma um movimento já esperado, visto que a Sony já havia interrompido o envio de novos aparelhos às lojas japonesas em fevereiro deste ano, dependendo desde então apenas do estoque remanescente.
Com essa decisão, o PlayStation 5 se torna o único dispositivo restante da Sony capaz de reproduzir discos Blu-ray. O fim dos players dedicados também levanta questionamentos sobre o futuro das mídias físicas nos consoles da empresa. A Sony já anunciou o encerramento da produção de discos físicos de jogos até janeiro de 2028, o que intensifica as especulações sobre a próxima geração do PlayStation. Existe o receio de que o PlayStation 6 chegue ao mercado sem leitor óptico, o que impediria a reprodução de jogos e filmes em discos, embora essa possibilidade seja, por ora, apenas especulação, pois a empresa não confirmou a ausência do componente.
Outras fabricantes seguem o mesmo caminho
A Sony não é a única a abandonar o mercado de players de Blu-ray. Em 2024, a LG encerrou a produção de seus reprodutores, enquanto as japonesas Elecom e Buffalo interromperam a fabricação de drives ópticos do formato para computadores neste ano. No caso da Buffalo, a divisão americana informou que continuará a oferecer leitores de DVD e Blu-ray nos Estados Unidos no futuro próximo. Embora ainda existam alternativas de outras fabricantes, como a Panasonic, a saída da Sony tem um peso significativo, considerando que a companhia foi uma das principais responsáveis pela criação e popularização do formato.
O declínio do Blu-ray também afeta o mercado de equipamentos de áudio de alta fidelidade. Algumas fabricantes precisaram cancelar a produção de determinados reprodutores Hi-Fi devido à interrupção no fornecimento de componentes ópticos essenciais para a leitura de discos SACD.
Streaming e a resistência das mídias físicas
Diferentemente de transições tecnológicas anteriores, como a substituição do VHS pelo DVD e, posteriormente, pelo Blu-ray, a mudança atual não se dá primariamente por uma evolução na qualidade de imagem. O formato Ultra HD Blu-ray está perdendo espaço não para um formato com resolução superior, mas principalmente para a conveniência dos serviços de streaming, que oferecem acesso direto a filmes e séries pela internet. Essa transição gera preocupação entre consumidores e profissionais de preservação de dados quanto à perda da posse de mídias físicas, com o consumo de conteúdo cada vez mais atrelado a plataformas digitais.
Por outro lado, o interesse por formatos antigos demonstra resistência em alguns segmentos. Dados recentes indicam um crescimento de 59% nas vendas de CDs e de 18% em discos de vinil, embora esses percentuais não apontem necessariamente para uma recuperação do Blu-ray. A decisão da Sony, portanto, reforça uma tendência de longo prazo: os discos ópticos perdem espaço no mercado, tornando-se cada vez mais restritos a um público de entusiastas e colecionadores. Em um movimento que contrasta com o fim do Blu-ray, a Sony recentemente anunciou um novo Walkman por cerca de R$ 30 mil, apostando no saudosismo para atrair o público.
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